Marcos Palmeira definiu este 7 de julho como um dia de luto, mas também de reconhecimento à dimensão histórica de Benedito Ruy Barbosa. Na avaliação do ator, o dramaturgo construiu uma obra que ultrapassa o entretenimento e ajuda a explicar o país a partir de suas raízes, tensões e afetos.
Ao longo da carreira, Benedito levou ao horário nobre personagens, paisagens e conflitos ligados ao interior do Brasil, à vida no campo e às transformações sociais do país. Essa escolha estética e narrativa, segundo Palmeira, ampliou o espaço de temas muitas vezes ausentes da televisão comercial e aproximou o público de uma realidade mais diversa e complexa.
O ator também destacou que a contribuição do autor não foi apenas cultural. Para ele, as histórias de Benedito carregam uma dimensão política e social por exporem desigualdades, disputas de poder e modos de vida frequentemente invisibilizados nas grandes produções. Nesse sentido, a obra do novelista ajudou a formar imaginário, debate e memória coletiva.
Com novelas que marcaram gerações, Benedito Ruy Barbosa consolidou um lugar raro na dramaturgia brasileira: o de criador capaz de dialogar com grandes audiências sem abrir mão de identidade, território e observação social. A reação de Marcos Palmeira resume esse impacto, ao tratar a despedida como perda pessoal e, ao mesmo tempo, como celebração de uma trajetória decisiva para a cultura do país.