O Masp abre espaço para três novas exposições assinadas por artistas latino-americanas e transforma também o seu vão livre em área de ocupação artística. Entre as novidades, chama atenção uma casa de madeira pintada à mão, instalação que desloca a experiência do museu para fora das galerias e aproxima o público de uma reflexão sobre moradia, pertencimento e circulação.
As mostras reúnem trabalhos de Carolina Caycedo, Regina José Galindo e Sol Calero, três nomes que partem de contextos distintos, mas convergem em temas urgentes da vida contemporânea. Em comum, as artistas tratam de território, violência, deslocamento e modos de habitar, a partir de linguagens que cruzam corpo, espaço e política.
Ao espalhar as exposições por salas e pelo vão livre, o Masp reforça uma vocação já conhecida do museu: fazer do espaço expositivo um lugar de debate público, e não apenas de contemplação. A casa pintada à mão, nesse sentido, funciona como convite e provocação, sugerindo que a ideia de abrigo também pode ser lida como gesto estético e comentário social.
O conjunto oferece ao visitante uma leitura ampla sobre experiências femininas na América Latina, sem reduzir as obras a um discurso único. Em vez disso, as artistas articulam diferentes formas de narrar o cotidiano, evidenciando como a arte pode traduzir tensões sociais e, ao mesmo tempo, reinventar a forma como ocupamos a cidade e o museu.