Nas histórias infantis, o lobo mau é aquela ameaça que ronda a floresta, pronta para soprar e derrubar as casas construídas com palha ou madeira. Na economia global, quem está mostrando as garras é a inteligência artificial (IA).
O alerta vem de um grupo de peso que inclui quase 400 economistas, pesquisadores e até vencedores do Prêmio Nobel.
Organizado pelo Stanford Digital Economy Lab, o manifesto We must act now (Precisamos agir agora) alerta que a transformação econômica provocada pela IA nos próximos dez anos poderá ser maior do que a própria Revolução Industrial — só que em um intervalo de tempo muito mais curto.
De acordo com os 380 signatários do documento, se não construirmos defesas sólidas agora, o sopro dessa nova tecnologia pode desestabilizar as estruturas do mercado de trabalho antes mesmo que possamos reagir.
O sopro do lobo da IA
Diferente das transformações do passado, que deram margem para a sociedade se adaptar ao longo de gerações, o avanço da IA promete ser avassaladoramente rápido.
Segundo o manifesto, a inteligência artificial "pode se tornar radicalmente mais poderosa nos próximos dez anos". Esse avanço rápido traz um cenário de extremos.
Do lado do risco está o deslocamento em larga escala de trabalhadores, ameaçando empregos e a estabilidade social. Do lado das oportunidades estão o ganho expressivo de produtividade e melhorias drásticas no padrão de vida global.
Para evitar que o pior cenário se concretize, as maiores mentes econômicas do planeta decidiram se unir.
Entre os principais nomes que assinam o manifesto estão os economistas Daron Acemoglu, Joseph Stiglitz, Paul Krugman, Ben Bernanke, Simon Johnson, Michael Spence, Philippe Aghion, Olivier Blanchard e Jason Furman.
Além do pioneiro em IA Yoshua Bengio, do ex-CEO do Google Eric Schmidt, do cofundador da LinkedIn Reid Hoffman, do cientista-chefe da Meta Yann LeCun e de executivos e pesquisadores da OpenAI, Anthropic e Google.
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Como construir a casa de tijolos?
Para os signatários do manifesto, a única forma de garantir que a IA seja uma força benéfica — e não um elemento destruidor — é agir de forma planejada e imediata.
O documento resume o plano de ação em três pontos essenciais: ação imediata, criação de defesas e desenvolvimento complementar.
Na ação imediata, economistas, formuladores de políticas públicas e líderes do setor de tecnologia precisam se unir agora para compreender a fundo a economia por trás da IA.
Além disso, o manifesto defende a urgência na construção de incentivos, as salvaguardas e as instituições necessárias para mitigar os impactos negativos.
E, por fim, sugere o direcionamento da tecnologia de modo que ela funcione de forma complementar aos seres humanos e traga benefícios reais para toda a sociedade, em vez de apenas substituí-los.
"Diante da trajetória atual da tecnologia, é 'altamente plausível' que a IA transforme profundamente as economias", diz Yoshua Bengio, pioneiro em IA, em declaração separada.
Ele reforça que o futuro não pode ser deixado à própria sorte — as decisões sobre o avanço e desenvolvimento da IA precisam ser deliberadas e democráticas, em vez de serem guiadas única e exclusivamente pelas forças cegas de mercado.
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