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Mentalidade positiva protege o coração? Veja o que a ciência explica

Mentalidade positiva protege o coração? Veja o que a ciência explica

Quem corre sabe: há dias em que a cabeça precisa chegar antes das pernas. Mas será que essa disposição mental faz bem além das passadas? Estudos recentes sugerem que sim — e que o otimismo pode ter um papel relevante na saúde do coração. A ressalva importante, porém, é que o efeito não vem de nenhuma força mística do pensamento positivo, mas de mecanismos bastante concretos.

Pesquisadores de universidades como Harvard e Michigan acompanharam milhares de adultos ao longo de anos e identificaram que indivíduos com perspectivas mais otimistas apresentavam menor incidência de doenças cardiovasculares, pressão arterial mais controlada e recuperação mais rápida após eventos cardíacos. A diferença chegou a ser significativa mesmo após os cientistas descontarem fatores como renda, escolaridade e histórico familiar.

O elo entre otimismo e coração passa, sobretudo, pelo comportamento. Pessoas com visão de mundo mais positiva tendem a dormir melhor, fumar menos, manter hábitos alimentares mais regulares e — pasmem — praticar mais exercícios físicos. É aqui que o corredor encontra terreno familiar: a rotina de treinos não apenas reflete uma mentalidade proativa, como também a alimenta. Cada quilômetro completado reforça a sensação de controle sobre o próprio corpo e o futuro.

Há também efeitos fisiológicos diretos. Níveis mais baixos de cortisol, menor inflamação sistêmica e melhor variabilidade da frequência cardíaca são marcadores encontrados com mais frequência em pessoas otimistas. Esses mesmos indicadores aparecem em corredores treinados — o que sugere que o exercício aeróbico e a mentalidade positiva podem atuar em sinergia, potencializando os benefícios um do outro.

Isso não significa que basta sorrir para blindar as artérias. Otimismo sem ação é ilusão. Mas cultivar uma perspectiva realista e esperançosa — especialmente dentro de uma rotina de treinos consistente — parece ser, de fato, uma estratégia com respaldo científico para cuidar do coração. No fim das contas, colocar um pé na frente do outro talvez seja o gesto mais otimista que existe.

Artigo originalmente publicado em saude.abril.com.br
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