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Mercado ainda fecha os olhos para quem tem 50 anos ou mais

Mercado ainda fecha os olhos para quem tem 50 anos ou mais

Quem tem 50 anos ou mais hoje não está simplesmente envelhecendo — está redefinindo o que significa ser maduro no século XXI. Com mais saúde, renda e disposição do que qualquer geração anterior nessa faixa etária, esse grupo representa uma das maiores oportunidades inexploradas do mercado global. Ainda assim, a maioria das campanhas publicitárias continua mirando quase exclusivamente nos jovens, como se o poder de compra acabasse junto com os 49 anos.

A miopia do marketing em relação ao público 50+ vai muito além de uma falha criativa. Trata-se de um erro estratégico com impacto direto nos resultados das empresas. Profissionais com décadas de experiência no setor relatam que a resistência em direcionar esforços a esse segmento está enraizada em estereótipos ultrapassados: a ideia de que consumidores mais velhos são menos influenciáveis, menos conectados à tecnologia ou menos propensos a experimentar marcas novas. Os dados contradizem essa visão em praticamente todos os pontos.

No Brasil, o cenário é ainda mais revelador. O país envelhece rapidamente, e a população com mais de 50 anos já representa uma fatia expressiva do consumo interno — de viagens e imóveis a eletrônicos e serviços financeiros. Esse consumidor pesquisa antes de comprar, tem fidelidade a marcas que o respeitam e, diferentemente do que muitos profissionais de marketing acreditam, está presente e ativo nas redes sociais. Ignorá-lo não é apenas um desperdício; é deixar dinheiro na mesa.

O conceito de "consumidor maduro ativo" surge justamente para romper com a visão passiva e homogênea que o mercado costuma ter desse público. Não existe um único perfil: há os que viajam o mundo na terceira idade, os que abrem negócios após a aposentadoria, os que adotam novos hábitos alimentares e de exercício, e os que buscam tecnologia para facilitar o dia a dia. Campanhas que tratam todos como iguais — ou que simplesmente os ignoram — perdem a chance de criar conexões genuínas e duradouras.

A mudança começa pela disposição de ouvir. Empresas que investem em pesquisa sobre o comportamento do consumidor 50+ descobrem um público exigente, sim, mas também extremamente leal quando se sente representado e valorizado. Em um cenário de longevidade crescente, adaptar a linguagem, os canais e os produtos a essa realidade deixa de ser diferencial para se tornar necessidade. O relógio do mercado, queira ele ou não, também envelhece.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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