Meta vaza dados sensíveis de funcionários e suspende monitoramento para IA
A Meta suspendeu por tempo indeterminado o Model Capability Initiative (MCI), programa interno que monitorava a atividade de seus funcionários para o treinamento de inteligência artificial. A paralisação ocorreu após uma falha de segurança expor dados confidenciais coletados de laptops corporativos para todo o quadro de colaboradores da empresa. O incidente foi revelado na segunda-feira (22) por meio de um aviso de segurança interno obtido pelo portal Wired. Meta em colapso: CTO admite que clima na empresa é um dos piores da história STF finaliza regras de responsabilização das big techs no Brasil A falha de configuração afetou cerca de 45 mil tabelas de dados do sistema Hive. Com o erro nas listas de controle de acesso (ACLs), qualquer funcionário da Meta ganhou permissão para visualizar históricos de digitação, cliques de mouse, transcrições de áudio, dados de desempenho e capturas de tela dos computadores de colegas alocados nos Estados Unidos. O monitoramento foi iniciado em abril deste ano com o objetivo de ensinar modelos de IA a utilizarem softwares da mesma forma que seres humanos. -Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.- Em comunicado encaminhado à imprensa internacional, o porta-voz da Meta, Tracy Clayton, confirmou o congelamento da iniciativa e afirmou que a empresa investiga a extensão do problema. O representante destacou que não há indícios de que os dados tenham sido acessados de forma indevida ou extraídos por terceiros externos antes da correção do erro de privilégios. O diretor de tecnologia da companhia, Andrew Bosworth, admitiu internamente que a execução técnica do programa violou as diretrizes estabelecidas nas revisões de privacidade da própria empresa. Em uma reunião interna recente, o CTO Andrew Bosworth afirmou que o clima na Meta era um dos piores dos 20 anos de companhia (Imagem: Alpha Photo/Flickr) Resistência interna e crise de infraestrutura A brecha de segurança confirmou os alertas emitidos pelos próprios funcionários antes da implementação do sistema. Em maio, mais de 1,6 mil colaboradores assinaram uma petição interna contra o monitoramento, sob a justificativa de que a centralização de registros comportamentais criava riscos regulatórios graves e vulnerabilidades para vazamentos em massa. Na ocasião, o CEO Mark Zuckerberg defendeu o projeto em reuniões internas, argumentando que a coleta de dados de profissionais altamente qualificados era indispensável para criar modelos computacionais eficientes. Este vazamento aprofunda a instabilidade na divisão de inteligência artificial da controladora do Facebook e do Instagram. Recentemente, a Meta realizou a demissão de 600 funcionários de sua divisão de IA devido ao inchaço de equipes e a gargalos operacionais gerados pela disputa interna por infraestrutura de processamento (GPUs). O corte ocorreu mesmo com a previsão de investimentos na área variando entre US$ 66 bilhões e US$ 72 bilhões para o ano corrente. O episódio é o terceiro incidente de segurança cibernética relacionado a sistemas de inteligência artificial da Meta em menos de quatro meses. Em março de 2026, uma ferramenta de inteligência artificial agêntica causou uma quebra de segurança ao executar ações autônomas não previstas. Já no início de junho, invasores exploraram falhas no chatbot de atendimento ao cliente da companhia para assumir o controle de contas comerciais na rede social Instagram. Leia a matéria no Canaltech.
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