Nem tudo que brilha nos cinemas merece ganhar nova vida. Esse parece ser o caso de Moana, a animação que conquistou bilheterias e corações em 2016, agora reinventada como remake live-action. A decisão de levar para a tela ao vivo um sucesso que já provou toda sua magia no formato animado levanta questões sobre criatividade e inovação em Hollywood – algo que a produção não consegue responder de forma convincente.
Dwayne Johnson retorna no papel do semideus Maui, e sua presença carismática não é questionável. O ator demonstra química genuína com Catherine Laga'aia, a jovem intérprete da protagonista, criando momentos que funcionam em nível interpessoal. Porém, a energia dos atores não é suficiente para compensar um projeto que respira superficialidade. O remake traz consigo a sensação de ser mais um exercício corporativo do que uma verdadeira releitura criativa.
Jared Bush, que assinou o roteiro original, tentou adaptar sua própria história para o novo formato, enquanto Thomas Kail estreia na direção de longa-metragens. A combinação deveria trazer frescor, mas o resultado é um filme tecnicamente competente que caminha no piloto automático. Falta aquela fagulha que distingue um remake memorável de uma simples reprodução.
O filme expõe um dilema cada vez mais frequente no cinema contemporâneo: a hesitação em arriscar com histórias genuinamente novas quando sequências e remakes de propriedades estabelecidas garantem receita de bilheteria. Moana live-action não é um desastre, mas também não justifica sua existência além de cálculos financeiros.