Eduardo Vieira, cofundador e CEO da Monking | Foto: divulgação
Ao longo de dez anos de trajetória, a Monking foi conhecida como uma agência de conteúdo que traduzia inovação para as grandes marcas. Agora, ela está fazendo algo diferente, invertendo a ordem das coisas, indo além de de ser uma agência de comunicação para se firmar como uma agência de inovação a serviço da comunicação.
Essa definição parte do próprio cofundador e CEO da Monking, Eduardo Vieira, que, depois de uma temporada no Vale do Silício, viu que precisava “fazer algo” para manter a sua empresa relevante. “Se a gente não mudasse para algo além de uma agência, nosso negócio poderia morrer”, destacou o CEO, em conversa com o Startups.
A resposta foi puxar tecnologia para dentro de casa, inclusive internalizando a Treehouz, startup de conteúdo com IA generativa na qual a Monking havia investido no ano passado, e reorganizar a empresa em torno de três pilares: marketing, vídeo (hoje 90% dos projetos vendidos) e tech.
Contudo, o plano da Monking não é tanto o de vender tecnologia, e sim colocar inovações como a IA na base do serviço oferecido. “As próximas grandes empresas serão aquelas de software disfarçadas de serviço”, afirma o CEO, referenciando um estudo recente divulgado pela Sequoia.
“Estamos criando software, mas não queremos virar uma empresa de SaaS. Vamos seguir vendendo serviço, só que com muita tecnologia por baixo, reduzindo custo, com pessoas tocando times de 5, 10 agentes de IA”, explica o executivo.
Inclusive, com o novo posicionamento, a Monking começou a ver que poderia não apenas atender as empresas interessadas nos serviços de agência, mas ser um fornecedor de tecnologia para outras agências de marketing. Ao se posicionar como “laboratório” de IA, a empresa passou a ser procurada por concorrentes que querem entender, ou até mesmo licenciar, as tecnologias desenvolvidas.
“A gente está desenhando o modelo para agência”, diz Eduardo. Segundo ele, para esse público, a lógica se aproxima mais de uma consultoria do que de um contrato de marketing: em um caso, a Monking fechou um plano de três meses implementando IA sob medida para uma agência.
“Produtizando a inovação”
A aposta mais recente nesta direção atende por MonkOS, produto que a agência está colocando no mercado. Com o uso de agentes, a empresa reinventou o papel do tradicional gestor de contas de uma agência, agora colocando-o na coordenação de um esquadrão de agentes de IA. “Em vez de vender o agente, eu vendo um squad de marketing completo, só que bem mais barato”, explica Eduardo.
O foco, por ora, é atender clientes com demandas mais pontuais de marketing, como desdobramento de peças, roteiros rápidos e tarefas repetitivas de clientes grandes. Segundo Eduardo, um exemplo dá a régua. “Com o uso de agentes, um catálogo de mil produtos que levaria dez dias saiu em seis horas.”
Ainda sob a lógica de automação, outra nova proposta da Monking é o Monking Play, uma solução encontrada para atender uma demanda latente no que é ainda o principal produto da companhia: a produção de vídeos. Especializada em podcasts, a empresa desenvolveu um estúdio autônomo que roda sem operador. O usuário entra, escolhe os assentos pelo tablet, aperta play e a IA grava, corta e entrega o conteúdo pronto, 24 horas por dia.
A inspiração, conta o CEO, veio de um passeio de carro autônomo no Vale do Silício: se dá para tirar o motorista, dá para tirar o operador de câmera. Para tocar a ideia, a Monking juntou sua expertise de audiovisual à automação de equipamentos da Enjoy, uma startup do Cubo.
Depois dos testes em janeiro e fevereiro, o estúdio opera 100% sozinho. Já são dois em funcionamento (no Cubo e no café Serena, este em sociedade com investidores), com o terceiro já em montagem e o quarto e o quinto encaminhados. O modelo cobra uma implementação mais uma recorrência de “tech, armazenamento e manutenção”, mas, segundo o CEO, é mais barato e disponível do que contratar um estúdio.
Os planos são ambiciosos: com a nova tecnologia, a meta é chegar a 100 estúdios instalados até o fim de 2027, se tornando um motor importante de crescimento de receita para a companhia. Entre as ideias do CEO com o Monking Play está levar estes estúdios para dentro de eventos e hubs de inovação, colocando os estúdios autônomos como salas que podem ser alugadas por hora, operando em um modelo de revenue share com os locais que abrigam o estúdio.
Por enquanto, tudo isso roda no bootstrapping, sem investidor. Eduardo admite que um aporte pode entrar na mesa se aparecer um parceiro para acelerar e virar uma nova unidade de negócio. “Pode estar na mesa, mas por enquanto não precisa. A gente quer 100 estúdios no ano que vem. Acho que isso vai ser muito mais rápido que investimento de alguém”, finaliza. O post Monking inova no modelo de negócio e coloca IA no core apareceu primeiro em Startups.