Os motores dos carros elétricos dependem de uma peça invisível, mas estratégica: os ímãs feitos com terras raras. Uma startup da Índia quer mudar essa lógica com uma tecnologia que dispensa esses materiais e usa eletrônica e software para gerar o campo magnético.
Segundo o Indian Times, a Vimag Labs acaba de conquistar sua quinta patente indiana para o projeto, que tenta resolver um problema enfrentado por montadoras como Tesla, GM e outras empresas: reduzir a dependência da cadeia chinesa de terras raras.
Novo motor troca ímãs por controle eletrônico
A maioria dos veículos elétricos atuais utiliza motores síncronos de ímãs permanentes (PMSM). Neles, componentes feitos com terras raras ficam no rotor e ajudam a produzir o movimento necessário para o funcionamento do veículo.
A proposta da Vimag é diferente. O Motor Síncrono de Ímã Virtual (VMSM) elimina esses ímãs e usa eletrônica de potência e algoritmos de controle para criar e ajustar o campo magnético em tempo real.
A patente registrada pela empresa, chamada “Um Motor Síncrono Robusto Excitado por Transformador Rotativo e Seu Controle”, protege a arquitetura central do sistema.
A companhia afirma que o motor consegue alcançar desempenho igual ou superior aos modelos com ímãs permanentes, mas essa promessa ainda não foi comprovada de forma independente em escala industrial.
“Esta patente é o resultado de mais de 87.600 horas de engenharia”, disse Manish Seth, cofundador e CEO da Vimag Labs.
Corrida contra a dependência das terras raras
O interesse por esse tipo de tecnologia aumentou devido ao domínio chinês sobre a cadeia de produção desses materiais. Segundo a fonte, a China respondeu por cerca de 91% do refino e separação global de terras raras e por 94% da fabricação de ímãs permanentes sinterizados em 2024.
A Vimag não está sozinha nessa corrida. Outras empresas também buscam alternativas:
- A Tesla afirmou que pretende desenvolver motores de próxima geração sem elementos de terras raras;
- GM e Stellantis investem na startup Niron Magnetics;
- A Valeo desenvolve o motor iBEE sem ímãs;
- A Honda apoia pesquisas em motores de relutância comutada.
Além da patente, a startup informou ter captado US$ 5 milhões em uma rodada Série A liderada pela Accel, com participação da Chakra Growth Fund e da Thinkuvate.
A próxima barreira é produzir em grande escala
A empresa diz estar realizando projetos-piloto com fabricantes de veículos de duas rodas e automóveis. Também firmou um acordo de fabricação com a Jendamark e mira aplicações industriais entre 200 kW e 600 kW, além de robótica, defesa e refrigeração.
Apesar do avanço, a tecnologia ainda enfrenta o principal desafio da indústria: sair dos testes e chegar à produção em massa.
Hoje, nenhuma empresa conseguiu colocar no mercado uma unidade de propulsão totalmente livre de terras raras em larga escala. É justamente nesse espaço que a Vimag tenta ganhar terreno, disputando uma corrida que envolve algumas das maiores empresas do setor automotivo mundial.
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