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Murakami revisita seus próprios temas e acende debate sobre repetição

Redação Recifes
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Murakami revisita seus próprios temas e acende debate sobre repetição

Haruki Murakami volta a ocupar o centro da conversa literária com A Cidade e Suas Muralhas Incertas, romance que reforça a dimensão singular de sua obra, mas também expõe uma dúvida cada vez mais incômoda: até que ponto um escritor pode se apoiar em sua própria linguagem sem dar a impressão de estar se reescrevendo?

Ao longo da carreira, Murakami construiu um território imediatamente identificável, feito de solidão, deslocamento, travessias interiores e uma atmosfera em que o real e o imaginário convivem sem fronteira nítida. Essa assinatura, que ajudou a transformá-lo em um dos autores mais lidos do mundo, é justamente o que agora alimenta o debate em torno do novo livro.

O problema não está em reconhecer sua marca, mas no momento em que ela passa a soar automática. Em um romance novo, o leitor espera não apenas o retorno de obsessões antigas, e sim alguma expansão de horizonte, alguma faísca capaz de reorganizar o que já parecia conhecido. É nesse ponto que a obra recente coloca Murakami à prova.

A Cidade e Suas Muralhas Incertas sugere, assim, uma tensão clássica da literatura de longa carreira: como preservar a força de um estilo sem se tornar refém dele. No caso de Murakami, a pergunta é ainda mais aguda porque sua obra sempre se apoiou na repetição de certos gestos, agora observados com mais atenção por leitores que conhecem de cor seu mapa ficcional.

Artigo originalmente publicado em redir.folha.com.br
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