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Nem Armínio Fraga resiste: Gávea fecha fundos multimercados e ex-BC entrega gestão para a Bradesco Asset

Redação Recifes
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Nem Armínio Fraga resiste: Gávea fecha fundos multimercados e ex-BC entrega gestão para a Bradesco Asset
Foto: Petr Ganaj / Pexels

Nem Armínio Fraga quis continuar remando contra a maré dos fundos multimercados. Em uma indústria que perdeu centenas de bilhões de reais para a renda fixa nos últimos anos e vê cada vez menos espaço para entregar retornos acima do CDI, a Gávea Investimentos decidiu encerrar sua atuação na gestão de recursos desse segmento e escolheu a Bradesco Asset para assumir os fundos Gávea Macro. 

Se a operação for aprovada pelos cotistas, a gestora comandada por Bruno Funchal passará a administrar cerca de R$ 2 bilhões em recursos de terceiros atualmente sob responsabilidade da Gávea.  

O movimento encerra um ciclo para uma das casas mais tradicionais da Faria Lima, que ajudou a construir a própria indústria brasileira de multimercados. 

Fundada em 2003 por Armínio Fraga — hoje integrante da força-tarefa de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) — e Luiz Fraga, a Gávea se tornou uma referência em estratégias macroeconômicas e atravessou diferentes ciclos dos mercados.  

Mas o cenário mudou. Com juros reais elevados, produtos de renda fixa competitivos e uma indústria que vem sofrendo resgates bilionários, os multimercados perderam espaço entre os investidores. 

O próprio desempenho recente dos fundos ilustra esse ambiente. O Gávea Macro Master FIM, principal multimercado da casa, rendeu em julho o equivalente a apenas 64,1% do CDI.  

No acumulado de 12 meses, entregou menos de 58% do benchmark e, desde sua criação, em 2008, acumula retorno de 102,82% do CDI — pouco acima da referência no longo prazo.  

Em entrevista ao Pipeline, do Valor Econômico, Armínio Fraga afirmou que a decisão faz parte de um reposicionamento iniciado anos atrás. Há cerca de três anos e meio, a gestora optou por não levantar um sexto fundo de private equity. Agora, chegou a vez dos multimercados. 

A Gávea passará a administrar apenas o portfólio legado de private equity — cerca de R$ 1 bilhão — e o patrimônio próprio dos sócios, segundo o site. 

Ao Pipeline, Fraga reconheceu que a estratégia enfrentou dificuldades nos últimos anos. Embora rejeite a ideia de que a decisão represente uma perda de confiança no Brasil, o ex-BC admite que o ambiente ficou mais hostil para a indústria de multimercados. 

Procurada, a Gávea não retornou o contato do Seu Dinheiro até a publicação desta reportagem. A Bradesco Asset também foi procurada, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto. 

Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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