Um app de diário de filmes nascido na Nova Zelândia, xodó dos cinéfilos, virou de repente objeto de desejo de meia Hollywood. Segundo fontes do mercado, o Letterboxd está à procura de um comprador, e na lista de interessados estão nomes grandes como Sony, Paramount Skydance e Netflix, e até o cofundador do Reddit, Alexis Ohanian. Contudo, o preço é alto: US$ 250 milhões.
Segundo reportou a CNBC no fim de semana, a negociação do Letterboxd é conduzida pelo banco LionTree, que baseou o valuation no crescimento expressivo que a plataforma registrou nos últimos anos.
Aliás, se o preço for atendido, será um exit e tanto para a sua principal investidora — o fundo de private equity canadense Tiny, que avaliou o negócio em US$ 50 a 60 milhões ao comprar 60% da plataforma, em 2023. Desde então, a empresa passou por um sprint de crescimento agressivo, passando dos 30 milhões de membros, com cerca de 10 milhões de usuários adicionados no último ano.
O app também expandiu suas fontes de receita no último ano. Antes apenas baseado em contas freemium com opções de tiers pagos, o Letterboxd lançou, em mercados limitados como EUA e Canadá, um serviço próprio de streaming e aluguel de filmes, focado principalmente no público cinéfilo e em filmes de nicho.
A pergunta que fica é simples: por que gigantes bilionárias disputariam uma plataforma onde usuários registram os filmes assistidos e dão notas sobre eles? A resposta, dizem os analistas, não está nas resenhas — está na comunidade. Num momento em que o streaming briga menos por espectadores e mais pelas audiências que ditam o que todo mundo vai assistir em seguida, o Letterboxd virou um raro motor de descoberta social do cinema, a camada que falta aos apps das plataformas.
Para Joost van Dreunen, professor da NYU Stern que estuda plataformas de entretenimento, o site é uma solução “plug-and-play” que entrega justamente o tecido social necessário para construir audiências fiéis em torno de franquias.
Segundo o professor, o Letterboxd virou um espaço com raro prestígio entre os jovens cinéfilos, a ponto de nomes como Charli XCX e Jack Harlow deixarem resenhas por lá. “É um tipo de relevância cultural que não se compra”, destaca.
A aposta em público mais engajado tem a ver com um movimento recente da Sony, que comprou a rede de cinemas Alamo Drafthouse, criada em Austin, no Texas, e famosa por fazer sessões e festivais focados no público cinéfilo. Contudo, para os mesmos analistas, a compra do Letterboxd pela Netflix seria “gota no oceano”, e talvez nem faça sentido para quem, no fundo, precisa mesmo é de mais propriedade intelectual.
Ainda assim, há quem leia o movimento como sinal de que a gigante, frustrada com a Warner, segue à caça de marcas de entretenimento para engordar o portfólio. Já a Paramount, embora se veja como tech-forward é vista pelos analistas como a menos favorável a fechar a compra. A empresa liderada por David Ellison acabou de contabilizar US$ 80 bilhões em dívida após anunciar a fusão com a Warner, e dificilmente precisa de mais uma conta para pagar.
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