Com um posicionamento de boutique, a vertical de venture capital da Sai do Papel chegou ao seu quarto fundo, somando R$ 20 milhões sob gestão. O braço de investimentos é apenas uma das frentes de atuação do grupo de inovação carioca, que também possui um hub físico, além de outras iniciativas na cidade.
Em entrevista exclusiva ao Startups, Carlos Junior, CEO da Sai do Papel e cofundador do Rio Innovation Week (RIW), conta que o quarto fundo da casa passou a adotar um modelo que vai além do equity. A vertical está incorporando estruturas de venture debt como forma de dar mais liquidez aos investidores e sustentabilidade às startups investidas.
Segundo o executivo, a mudança reflete um aprendizado dos últimos anos de operação do fundo, que já soma quase 30 startups investidas desde o primeiro veículo, lançado em 2017 com R$ 2 milhões. Naquele início, o fundo apostava em negócios ainda não validados. Hoje, o portfólio é formado por empresas que já faturam entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões por ano e crescem entre 50% e 100% ao ano. “Ou seja, o dinheiro que a gente bota é um dinheiro mais para escalar e não para validar”, explica Carlos.
A virada para o modelo misto veio de uma constatação sobre o retorno das investidas. Segundo Carlos, das quase 30 empresas do portfólio, menos de 10% tiveram write-off, mas metade não trouxe retorno relevante para o fundo, por crescerem sem se tornarem atrativas o suficiente para aquisição por outro fundo ou empresa, e sem distribuírem dividendos.
A partir dessa leitura, a Sai do Papel estruturou um mútuo conversível com rentabilidade acima do CDI, mas abaixo do praticado pelo mercado de dívida bancária, com opção de resgate do capital já a partir do primeiro ano. Para o empreendedor, a proposta inclui carência de um a cinco anos, custo abaixo do mercado e ausência de garantias reais, diferentemente do crédito bancário tradicional.
“Nossa tese é multisetorial, mas o empreendedor precisa estar de acordo com esse modelo tipo um venture debt com um kicker”, explica Carlos, acrescentando que a casa investe também em economia real, e não apenas em startups de base tecnológica. Algumas das investidas da Sai do Papel estão, por exemplo, a Kuba, de fones de ouvido.
Startups que não se encaixam na tese do fundo, mas que a gestora considera boas oportunidades, também podem receber investimentos por meio de club deals. “Quando a gente faz um investimento, o contrato é nosso, nos nossos termos. Quando a gente leva o clube deal, o contrato é da startup, nos termos dela”, observa Carlos.
Arca Hub de casa nova
Além da frente de investimentos, a Sai do Papel opera o Arca Hub, um dos principais espaços de empreendedorismo do Rio de Janeiro, que recentemente mudou de endereço. O hub deixou seu antigo espaço e passou a funcionar em Copacabana, no Shopping Cassino Atlântico. A nova sede tem 700 metros quadrados e mais de 70 posições de trabalho, além de salas de reunião e um espaço de eventos que dobrou de tamanho em relação ao anterior.
A mudança de casa também vem acompanhada de um reposicionamento. Segundo Carlos Junior, o Arca deixa de se apresentar apenas como um espaço de coworking para se firmar como um ponto de encontro. “A ideia é que o empreendedor vá ao Arca quando tiver um propósito: quando precisa trabalhar, quando tem uma rodada de negócio, quando tem um evento importante ou um workshop. Mas lá não é o lugar de trabalho diário”, afirma o CEO da Sai do Papel.
Além do Arca Hub, a Sai do Papel também é uma das empresas associadas do Instituto Reap Rio, concessionária do hub Porto Maravalley, na região portuária do Rio de Janeiro. O grupo reúne ainda empresas como a Boulder e MSW Capital.
Rio Innovation Week
Um dos principais eventos do calendário carioca de inovação, o Rio Innovation Week (RIW) também conta com participação da Sai do Papel na organização. Este ano, o evento deve reunir cerca de 200 mil participantes e 4 mil palestrantes entre os dias 4 e 7 de agosto, no Pier Mauá.
Uma das conferências do evento é a VC Square, que vai promover, além de palestras, atividades de mentoria, avaliação de startups e rodadas de matchmaking entre empreendedores e investidores, incluindo conexões com corporações.
Segundo Carlos, a iniciativa concentra, ao longo de quatro dias de evento, cerca de 50 fundos de venture capital, CVCs e grupos de investidores-anjo, com um volume conjunto estimado em mais de R$ 1 bilhão disponível para investimento.
Para ajudar a unir essas pontas, a Sai do Papel está subsidiando o Startup Program, que garante acesso aos quatro dias de evento, além de acesso a um espaço exclusivo de networking no Startup Lounge e exposição da marca da empresa no Startup Alley. O programa envolve ainda mentorias e reuniões 1:1 com investidores e corporações.
“É uma oportunidade meio única. Poucos eventos no Brasil dão esse tipo de acesso tão fácil e tão qualificado. São quatro dias em que a startup consegue fazer, com 50 VCs, o que levaria talvez um ano inteiro para conseguir, isso se conseguisse falar com todos eles”, destaca Carlos.
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