No Ironbound, em Newark, Nova Jersey, a Copa não fica restrita à tela da televisão. Ela toma as calçadas, as vitrines e as fachadas dos restaurantes e padarias da Ferry Street, onde bandeiras de vários países desenham um mapa afetivo da imigração na região.
Entre o verde e amarelo do Brasil, o vermelho e verde de Portugal e o amarelo do Equador, o bairro exibe sua mistura de origens como parte da paisagem cotidiana. A decoração se espalha do alto das janelas até a altura das calçadas, criando uma sensação de festa permanente para quem circula por ali.
O clima vai além da estética. A música que sai dos estabelecimentos, o movimento nas portas e a preparação para os jogos reforçam o papel do Ironbound como ponto de encontro de comunidades que usam o futebol para se reconhecer e ocupar o espaço público com orgulho.
Em meio a um cenário político mais duro e ao aumento das tensões em torno da imigração, a Copa também funciona como gesto de pertencimento. Para o bairro, vestir as cores das seleções é uma forma de afirmar presença, manter laços com as origens e transformar a rotina em celebração coletiva.