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Nocaute? Após brigar por meses, nome apoiado pela Previ leva o conselho da Vale (VALE3) em pouco mais de meia hora. O que muda?

Redação Recifes
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Nocaute? Após brigar por meses, nome apoiado pela Previ leva o conselho da Vale (VALE3) em pouco mais de meia hora. O que muda?
Foto: Bruno Bueno / Pexels

Nas lutas do UFC, é comum que os lutadores passem meses trocando provocações para uma batalha que pode terminar em poucos segundos no caso de um nocaute. Na disputa pelo comando do Conselho de Administração da Vale (VALE3), o roteiro foi parecido.

Depois de meses de embate nos bastidores, bastaram 33 minutos de Assembleia Geral Extraordinária (AGE), para a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, sair vitoriosa da luta pela presidência do Conselho da mineradora.

Nesta quarta-feira (22), os acionistas elegeram Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para liderar o colegiado. Vale observar que ele não é uma indicação direta da Previ, mas recebeu apoio da entidade — o que fez o fundo vencer por "decisão" (como dizem no UFC) e não por nocaute.

Ele ocupará a cadeira deixada por Daniel Stieler, que renunciou ao cargo em julho, em meio a embates com a Previ, que é a maior acionista da Vale hoje, com quase 7% do capital.

Ollie, que já integrava o Conselho, derrotou Marcelo Gasparino, atual vice-presidente do conselho.

A AGE também elegeu Ieda Gomes Yell para a vaga no conselho de administração aberta com a saída de Stieler. Yell vai completar o mandato até a assembleia de 2027.

A executiva, que já havia sido recomendada pelo Comitê de Indicação da Vale, derrotou José Maurício Pereira Coelho, nome defendido pela Previ. Ou seja, apesar de ter conseguido emplacar um nome para a cadeira principal, o fundo de pensão não conseguiu garantir mais um nome no conselho no qual tem pouca representatividade hoje.

Consultora independente, Ieda possui ampla experiência nos setores de energia, infraestrutura e mineração, tendo presidido o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), além de integrar conselhos de empresas no Brasil e no exterior.

O desfecho da disputa pelo comando do conselho de administração impulsionou as ações da Vale, que já subiam após a prévia operacional do primeiro trimestre divulgada na noite de ontem (21). Assim que a notícia foi divulgada, os papéis aceleraram quase 4%, a R$ 74,84 nas máximas do dia. Por volta das 12h15, as ações subiam 2,92%, a R$ 74,35.

A briga pelo comando da Vale e a vitória da Previ

Para entender a dança de cadeiras anunciada hoje, preciso voltar ao primeiro capítulo, quando a Previ pediu formalmente a saída do então presidente do colegiado, Daniel Stieler, alegando que a companhia precisava avançar em um processo de renovação da governança.

Ao mesmo tempo, o fundo de pensão passou a defender o nome de "Ollie", para assumir a presidência. Em um primeiro momento, Stieler, que chegou ao Conselho da Vale quando era presidente da Previ, resistiu. No fim de junho, a maioria dos integrantes do conselho votou contra sua destituição, frustrando a tentativa da Previ.

Mas o impasse não acabou e o desgaste entre as partes continuou até que, no início de julho, Stieler decidiu renunciar ao cargo, tornando desnecessária a votação sobre sua remoção na assembleia realizada nesta quarta-feira.

A Previ argumentava que a troca fortaleceria a governança da Vale e aumentaria a independência da companhia. Apesar de ser a maior acionista individual da mineradora, com cerca de 7% do capital, o fundo tem influência limitada nas decisões do conselho, onde ocupa apenas duas das 13 cadeiras.

O embate entre os acionistas também despertou a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Um dia antes da assembleia, a autarquia instaurou um processo administrativo para examinar uma consulta apresentada por um investidor sobre a conduta da Previ durante a disputa pelo comando do conselho da Vale.

A análise busca esclarecer se a atuação do fundo se limitou ao exercício de seu direito de voto ao defender a candidatura de Ollie ou se houve coordenação com outros acionistas, situação que, em determinadas circunstâncias, pode exigir o cumprimento de regras específicas de divulgação ao mercado.

Vale destacar que a abertura do processo tem caráter investigativo. Até o momento, a CVM não apontou qualquer irregularidade nem adotou medidas que afetassem a realização da assembleia ou a eleição dos novos conselheiros.

O que muda para a Vale?

Apesar da disputa ter exposto divergências entre a Previ e parte do conselho, analistas avaliam que o desfecho não deve provocar mudanças relevantes na estratégia da companhia.

Isso porque Ollie já fazia parte do colegiado e é visto pelo mercado como um defensor da atual gestão da Vale e do plano de longo prazo da mineradora. A eleição de Ieda Gomes Yell para a outra vaga reforça essa percepção ao preservar o equilíbrio de forças dentro do conselho.

A leitura é que a Previ conquistou a presidência do conselho, mas não ampliou sua influência sobre o órgão. Com apenas duas das 13 cadeiras, o fundo segue sem poder para alterar sozinho os rumos da governança da companhia.

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Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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