Em um país onde quase 64 milhões de pessoas ainda não concluíram a educação básica, foi lançada nesta terça-feira (7) a Rede EJA e Inclusão Produtiva. A articulação reúne 16 organizações da sociedade civil, fundações e organismos internacionais com a proposta de ampliar o alcance da Educação de Jovens e Adultos e dar mais força às políticas públicas voltadas a esse público.
A iniciativa parte de um diagnóstico conhecido, mas ainda pouco enfrentado na prática: a evasão escolar e as trajetórias interrompidas seguem concentrando desigualdades sociais, regionais e econômicas. Ao colocar a EJA no centro da agenda, a rede tenta responder a uma demanda que não é apenas educacional, mas também de cidadania, renda e permanência no mercado de trabalho.
O diferencial da proposta está na ideia de inclusão produtiva. A leitura é de que retomar os estudos precisa andar junto com caminhos concretos para a autonomia econômica, especialmente para quem deixou a escola cedo para trabalhar, cuidar da família ou enfrentar outras barreiras sociais. Nesse sentido, a rede quer aproximar formação escolar, qualificação e oportunidades reais de inserção produtiva.
Ao reunir entidades com atuação diversa, a articulação também busca dar escala e coordenação a esforços que, muitas vezes, ficam espalhados e com pouca continuidade. O desafio agora é transformar a mobilização em ações duradouras, capazes de levar a EJA para onde ela mais faz falta: nas periferias urbanas, no campo, entre trabalhadores informais e entre milhões de brasileiros que ainda vivem à margem do direito básico de estudar.