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Novo El Niño pode ser um dos maiores já vistos

Redação Recifes
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Novo El Niño pode ser um dos maiores já vistos
Foto: Franco Monsalvo / Pexels

O fenômeno climático El Niño continua se fortalecendo e tem grande probabilidade de se tornar um dos eventos mais intensos desde o início dos registros históricos. A avaliação foi divulgada nesta quinta-feira (9) pelo Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos, que estima uma elevada chance de o fenômeno atingir sua máxima intensidade entre outubro e dezembro.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais nas regiões central e leste do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera os padrões de vento, pressão atmosférica e precipitação em diversas partes do planeta, além de contribuir para o aumento das temperaturas globais.

Especialistas já relacionaram grandes eventos climáticos recentes ao fenômeno. Entre eles está a enchente de grandes proporções que atingiu o Rio Grande do Sul, em maio de 2024, associada tanto ao El Niño quanto às mudanças climáticas.

Chance de 81% de um evento “muito forte”

Na atualização mais recente, o CPC informou que existe 81% de probabilidade de o El Niño alcançar a categoria de “muito forte” entre outubro e dezembro;

Segundo o órgão, um evento dessa magnitude ficaria entre os maiores já registrados desde 1950. A classificação “muito forte” é utilizada quando a temperatura da superfície do mar fica 2 °C ou mais acima do valor de referência;

Além disso, o centro estadunidense estima em 97% a probabilidade de que o fenômeno permaneça ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte (entre março e junho);

A previsão reforça a avaliação feita nesta semana por Tim Stockdale, especialista em El Niño do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, que afirmou que seria “uma enorme surpresa” caso o evento não estabeleça novos recordes.

Fenômeno provoca impactos em diferentes regiões do planeta

Os efeitos do El Niño costumam variar de acordo com a região, mas podem provocar mudanças significativas nos regimes de chuva e temperatura em escala global.

Entre os impactos mais conhecidos estão períodos mais secos e de estiagem na Austrália, além de invernos mais chuvosos no leste da África e no sul dos Estados Unidos.

A cientista climática Isla Simpson, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos, afirmou à AFP que há evidências de que o aquecimento global esteja intensificando tanto os episódios de El Niño quanto os de La Niña.

“Há muitas evidências em nossos modelos de que o aquecimento global aumenta a variabilidade do El Niño, então temos eventos de El Niño maiores e também eventos de La Niña maiores”, afirmou. A La Niña representa a fase de resfriamento do ciclo conhecido como El Niño-Oscilação Sul.

Efeitos do El Niño costumam variar de acordo com a região, mas podem provocar mudanças significativas nos regimes de chuva e temperatura em escala global – Imagem: Imagem gerada por IA/Gemini

Efeitos do El Niño variam conforme a região

Nos Estados Unidos, o fenômeno costuma aliviar períodos de seca em algumas áreas, como a Califórnia, embora também provoque condições mais secas em outras regiões do país.

Na Europa, segundo Simpson, as ligações entre o fenômeno e o clima são menos consistentes. Ainda assim, existem indícios de que o El Niño possa aumentar a probabilidade de condições mais frias no fim do inverno no norte do continente.

A pesquisadora destacou que os impactos seguem, em geral, os padrões climáticos já conhecidos, mas ressalvou que outros fatores meteorológicos podem alterar esses efeitos.

“O mais provável é que vejamos as teleconexões canônicas do El Niño”, afirmou. “Mas, em qualquer evento específico, as coisas podem desviar disso simplesmente porque temos todas essas incertezas aleatórias. Há fenômenos meteorológicos que ocorrem sobre esses sinais previsíveis de escala temporal mais longa.”

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Aquecimento do Pacífico continua avançando

Segundo o Centro de Previsão Climática, as temperaturas da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4, localizada no Pacífico equatorial, estão atualmente 1,2 °C acima da média.

O órgão informou que, em conjunto com o aquecimento das águas abaixo da superfície e com mudanças nos padrões de vento e pressão atmosférica, o sistema oceano-atmosfera passou a refletir um El Niño em fortalecimento.

Embora o fenômeno normalmente atinja sua intensidade máxima entre novembro e fevereiro, seus efeitos sobre as temperaturas globais costumam aparecer algum tempo depois.

Combinado às mudanças climáticas provocadas pela atividade humana, o episódio anterior do El Niño contribuiu para que 2023 se tornasse o segundo ano mais quente já registrado e para que 2024 fosse o ano mais quente da história dos registros. O post Novo El Niño pode ser um dos maiores já vistos apareceu primeiro em Olhar Digital.

Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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