Prédio do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em Santa Rita do Sapucaí (MG) | Foto: Divulgação Conhecida por ser o centro do chamado Vale da Eletrônica, a cidade de Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais, possui um ecossistema próprio de inovação, que começou com a Escola Técnica de Eletrônica (ETE), fundada em 1959, e o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), fundado em 1965. Hoje, a cidade já possui o seu próprio calendário de eventos, com destaque para o Hacktown, além de diversas iniciativas com empresas e governos para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias aplicadas, principalmente, às indústrias de eletrônica e telecomunicações.
Mas, cada vez mais, o ecossistema da cidade tem buscado de conectar aos demais agentes de inovação pelo país. O Hub Fígital de Inovação, lançado pelo Inatel no último dia 30, nasce como parte desse movimento.
Vinculado ao Centro de Competência Embrapii Inatel em Redes 5G e 6G (xGMobile), o hub tem como foco fortalecer especialmente startups ligadas a conectividade, telecomunicações, Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, cibersegurança, cidades inteligentes, indústria, energia, agronegócio conectado e infraestrutura crítica.
A proposta é que a plataforma seja híbrida, com encontros presenciais e virtuais, facilitando o acesso de startups e empreendedores de outras localidades. “Para o município de Santa Rita do Sapucaí e para o nosso ecossistema local, o Hub Fígital vai ampliar a nossa influência e a nossa conexão com outros ecossistemas nacionais e, em algum momento, até internacionais”, afirma Rogério Abranches, coordenador do Inatel Startups.
Rodadas de negócios e de investimentos envolvendo cidades vizinhas e a região do Vale da Eletrônica, por exemplo, passam a ser viáveis de forma mais rápida e barata, conectando também outras regiões do país. Programas de aceleração e desenvolvimento de startups também poderão reunir, simultaneamente, empreendedores de diferentes municípios, participando de forma presencial ou remota através da plataforma.
De acordo com Rogério, boa parte do Hub Fígital ficará com acesso aberto, disponível para startups e empreendedores que queiram participar das diferentes frentes oferecidas.
Startups já constituídas poderão se associar formalmente ao hub e passar a ser acompanhadas pelo Inatel, ou optar por não se associar e ainda assim acessar parte relevante dos conteúdos da plataforma.
“Outra forma de utilização será voltada não apenas a empreendedores ou startups,mas também a outros hubs ou ecossistemas de inovação e empreendedorismo quequeiram utilizar a plataforma como ferramenta de gestão, acompanhamento e demaisfuncionalidades oferecidas aos seus atores de inovação, onde quer que esseecossistema esteja”, observa Rogério.
Um dos pontos centrais dessa frente é a possibilidade de outros ecossistemas utilizarem a metodologia de criação e acompanhamento de startups desenvolvida pelo Inatel — reconhecida e premiada nacionalmente — para gerir seu próprio desenvolvimento, com ou sem os conteúdos disponíveis na plataforma.
Ecossistema consolidado
Mas não foi apenas Santa Rita do Sapucaí que se desenvolveu graças à tecnologia. Cidades vizinhas, como Itajubá e Pouso Alegre, ajudam a compor o polo do Vale da Eletrônica. A Universidade Federal de Itajubá (Unifei), inclusive, foi fundada em 1913, e alguns dos seus professores participaram da criação do Inatel, em 1965.
O Inatel iniciou sua atuação em empreendedorismo na década de 1980, formalizou sua Incubadora de Empresas em 1992 e criou, em 1999, o Núcleo de Empreendedorismo e Inovação.
Ao longo desse percurso, 85 empresas nasceram e se graduaram na Incubadora do Inatel, das quais mais de 50 seguem em atividade. Hoje, Santa Rita do Sapucaí conta com cerca de 170 empresas, 65% delas fundadas por alunos ou ex-alunos da instituição. Juntas, essas empresas faturam aproximadamente R$ 1 bilhão por ano e geram mais de 2 mil empregos.
Para Rogério, o novo hub é a continuidade natural dessa história. “Ele representa a evolução de um modelo que já gerou resultados expressivos e que agora poderá beneficiar um número ainda maior de startups, empresas e outros agentes de inovação em todo o país”, resume o coordenador do Inatel Startups.
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