🌊 Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bônus

O ator que amava o vinho: Sam Neill deixa legado além das telas

Redação Recifes
0 visualizações
O ator que amava o vinho: Sam Neill deixa legado além das telas

O mundo perdeu esta semana não apenas um ator de talento raro, mas também um entusiasta genuíno da cultura do vinho. Sam Neill, o eterno Dr. Alan Grant de Jurassic Park, faleceu aos 78 anos, e para quem acompanha o universo das bebidas com atenção, seu nome vai muito além das grandes produções de Hollywood. Neill foi um produtor de vinhos comprometido, cuja adega na região de Central Otago, na Nova Zelândia, tornou-se referência para quem busca Pinot Noir de caráter.

Central Otago é uma das regiões vitícolas mais fascinantes do hemisfério sul. Situada no interior da Ilha Sul da Nova Zelândia, é a zona produtora de Pinot Noir mais ao sul do mundo, com um clima continental marcado por verões quentes e invernos rigorosos. Essa combinação confere aos vinhos locais uma tensão única — fruta expressiva equilibrada por acidez vibrante e uma mineralidade que poucos terroirs conseguem entregar com tanta elegância. Neill reconheceu esse potencial antes de muita gente e apostou suas fichas nessa terra de paisagens dramáticas.

Sua propriedade, a Two Paddocks, foi fundada em 1993 e cresceu até reunir quatro vinhedos distintos na região. Desde o início, o foco era o Pinot Noir — uma uva exigente, sensível ao solo e ao clima, que recompensa quem a cultiva com paciência e respeito. Mais do que uma aventura de celebridade, o projeto de Neill era levado com seriedade enológica: ele se envolvia ativamente nas decisões do vinhedo e não media palavras ao falar sobre o que achava de cada safra, com um humor característico que o tornava presença cativante em feiras e eventos do setor.

O legado de Sam Neill para o vinho neozelandês é concreto. Em um momento em que Central Otago ainda lutava por reconhecimento internacional, ter uma figura de projeção global associada à região ajudou a colocar o Pinot Noir neozelandês no radar de sommeliers e colecionadores ao redor do mundo. Mas o que mais impressionava quem o conhecia no universo das bebidas era sua autenticidade: ele não usava o vinho como extensão de marca pessoal, mas como expressão de identidade e pertencimento a uma terra que amava profundamente.

Nos últimos anos, Neill enfrentou com coragem um diagnóstico de câncer, sobre o qual falou abertamente em suas memórias e nas redes sociais, sempre com leveza e perspectiva. Sua partida deixa um vazio duplo: nas telas, onde construiu uma carreira de cinco décadas, e nas vinhas de Central Otago, onde as videiras que ele ajudou a plantar continuarão a produzir safras que carregam sua marca. Uma taça de Two Paddocks Pinot Noir é, hoje, uma forma de brindar a ele.

Artigo originalmente publicado em revistaadega.uol.com.br
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!