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O botão de curtir pode ter impacto maior em pessoas com depressão

Redação Recifes
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O botão de curtir pode ter impacto maior em pessoas com depressão
Foto: cottonbro studio / Pexels

Um levantamento com milhares de contas do Twitter (X) revelou um comportamento inesperado: pessoas com depressão tendem a publicar mais depois de receber curtidas. O resultado chamou atenção porque contraria parte das pesquisas anteriores sobre recompensa e depressão.

A descoberta ajuda a entender como mecanismos simples das redes sociais podem interagir de maneira diferente com pessoas que apresentam sintomas depressivos.

Curtidas podem reforçar o hábito de publicar

O estudo foi conduzido pelo Dr. Dan-Mircea Mirea, da Universidade de Princeton, em parceria com pesquisadores de Princeton e do Trinity College Dublin. A equipe analisou se a quantidade de curtidas recebidas em um dia poderia indicar a frequência de publicações no dia seguinte.

Os pesquisadores trataram cada postagem como um comportamento que poderia ser fortalecido pelas respostas recebidas na plataforma. O padrão mais marcante apareceu entre participantes com depressão: quanto mais curtidas acumulavam, maior era a tendência de voltar a publicar.

A descoberta surpreendeu porque estudos feitos em laboratório costumam apontar outro cenário. Nesses experimentos, a depressão geralmente está associada a uma menor resposta a recompensas, como dinheiro ou pontos.

Milhões de publicações foram analisadas

Para verificar se o resultado era consistente, a equipe avaliou três conjuntos diferentes de dados do Twitter, que somavam mais de 17 milhões de publicações.

O maior grupo reunia pouco mais de 1.000 pessoas que haviam informado um diagnóstico de depressão em uma postagem e cerca de 5.000 contas escolhidas aleatoriamente. Outros participantes relataram sua própria saúde mental por meio de questionários.

Os principais resultados foram:

  • Curtidas tiveram relação mais forte com novas publicações entre pessoas com depressão.
  • O padrão apareceu nos três conjuntos de dados avaliados.
  • Retweets não apresentaram o mesmo efeito observado nas curtidas.
  • A aprovação direta pareceu ter mais peso do que apenas alcançar mais pessoas.

A equipe acredita que a diferença pode estar no significado social da curtida. Uma interação vinda de outra pessoa pode representar reconhecimento e conexão, algo diferente de recompensas artificiais usadas em testes de laboratório.

O efeito das redes sociais ainda gera perguntas

A análise também revelou comportamentos distintos. Um grupo apresentou maior sensibilidade às curtidas, característica associada pelos pesquisadores à depressão ansiosa, que envolve sintomas como baixo astral, apatia e ansiedade constante.

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Outro grupo mantinha um ritmo de publicações mais estável, independentemente das interações recebidas, em um padrão relacionado a hábitos persistentes e pensamentos repetitivos.

Ainda não é possível afirmar se a busca por curtidas contribui para o agravamento da depressão ou se a própria condição aumenta a importância dada a essas recompensas digitais. Como a saúde mental foi avaliada em apenas um momento, a pesquisa não determina uma relação de causa e efeito.

Publicado na revista JAMA Psychiatry, o estudo indica que as redes sociais podem ter efeitos diferentes conforme o perfil psicológico de cada pessoa e abre espaço para novas investigações sobre a influência das interações digitais na saúde mental.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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