Há filmes que chegam sem fazer barulho e ficam. The Last First Time é um desses. A produção mexicana não tenta reinventar a roda do cinema de formação, mas executa com tanta sinceridade o que se propõe que fica difícil resistir ao seu charme despretensioso. A história gira em torno de Eduardo, 18 anos recém-terminados de prova, um rapaz criado no interior que ainda está aprendendo a ocupar espaço no mundo — especialmente no mundo gay da metrópole.
O roteiro escolhe uma noite como palco para toda essa transformação. Após o fim dos exames, Eduardo mergulha numa festa que rapidamente se torna muito mais do que celebração: é um ritual de passagem, um confronto consigo mesmo, uma espécie de batismo afetivo. O filme não tem pressa em julgar os desejos do protagonista — pelo contrário, trata sua curiosidade e sua atração com a mesma naturalidade com que trata qualquer outro aspecto da juventude. Há uma honestidade rara nessa abordagem, especialmente quando o assunto é a sexualidade de um jovem latino.
O que mais surpreende em The Last First Time é a qualidade das atuações. O elenco jovem entrega performances que evitam os clichês do gênero: não há melodrama desnecessário, nem epifanias forçadas. Eduardo existe como personagem completo — inseguro e impulsivo, curioso e vulnerável — e o ator que o interpreta carrega essa complexidade com maturidade acima da esperada. Os coadjuvantes também contribuem para construir um universo noturno que parece ao mesmo tempo estranho e acolhedor.
O filme pode ser classificado como leve demais para alguns espectadores, mas essa leveza é uma escolha, não uma limitação. Em vez de transformar a coming-of-age queer numa saga de sofrimento — narrativa ainda muito comum no gênero —, o diretor aposta no prazer como forma legítima de autoconhecimento. Eduardo não precisa sofrer para se encontrar; ele só precisa de uma noite, de coragem e de espaço para ser quem é.
Para os amantes de cinema latino-americano e de histórias que falam sobre identidade sem didatismo, The Last First Time é uma pedida certeira. É o tipo de filme que você assiste com um sorriso no rosto e termina com a sensação de ter acompanhado algo genuíno — pequeno em escala, mas generoso em humanidade.