O que as novas turmas da Y Combinator revelam sobre a próxima fase da IA
A startup GRU Space, do batch de inverno de 2026 da Y Combinator, quer construir hotéis na Lua | Foto: Divulgação
Uma das aceleradoras mais influentes do Vale do Silício, a Y Combinator virou uma espécie de oráculo do mercado a cada nova turma de startups escolhidas para fazer parte do programa. E a julgar pelas empresas selecionadas nos batches deste ano, a próxima fase da IA parece estar migrando para o mundo físico – e para o espaço.
No batch de inverno (W26), que encerrou em março, das 198 empresas, cerca de 30 startups estão construindo hardware ou infraestrutura para IA física, incluindo robôs, drones, wearables e chips, por exemplo. Esse número equivale a cerca de 15% da turma.
Já no batch da primavera (P26), que terminou em junho, das 197 startups escolhidas, 21 startups são de hardware, o que equivale a cerca de 10% do grupo.
As startups de agentes de IA que executam tarefas autônomas são maioria no batch de primavera da Y Combinator. E as tarefas são as mais diversas possíveis, desde analistas financeiros automatizados (Cohesion) até agentes para oficinas mecânicas de carros que ajudam a gerenciar diagnósticos, atendimento e operações de reparo de veículos (Parrot).
O movimento representa uma mudança no programa, que durante muito tempo foi sinônimo de SaaS, aplicativos e marketplaces. Mesmo na tese de inteligência artificial, a escolha das empresas mostra que a corrida já não gira apenas em torno de modelos cada vez maiores ou interfaces mais sofisticadas, mas em infraestrutura, dados proprietários, agentes especializados e sistemas capazes de atuar no mundo físico.
Se a primeira fase da inteligência artificial generativa foi marcada por softwares que ajudavam pessoas a trabalhar melhor, a próxima parece ser definida por máquinas, robôs e sistemas autônomos que executam o trabalho por conta própria.
Outro tema que chamou atenção nos batches foi energia, setor que está cada vez mais conectado à inteligência artificial. O avanço da IA tem elevado rapidamente a demanda por capacidade computacional, pressionando data centers e sistemas elétricos ao redor do mundo.
Entre as soluções desenvolvidas pelas novas startups da YC estão reatores nucleares compactos (Apollo Atomics, Inc.), sistemas de resfriamento ultra-eficientes para data centers (Madrone) e agentes de IA para planejamento de redes elétricas (Squid).
De hotel na Lua a drones que pastoreiam gado
A superfície terrestre definitivamente deixou de ser um limite para as startups, que estão cada vez mais olhando para possibilidades no espaço sideral. No batch de inverno da Y Combinator, uma das startups escolhidas foi a Galactic Resource Utilization Space, Inc. (GRU Space), que quer construir nada menos que hotéis na Lua.
Em sua página, a startup diz que construiu um hardware com patente pendente que transforma regolito lunar em tijolos e casas infláveis modulares pressurizadas, projetadas para suportar temperaturas e pressões extremas na Lua. “Nossa primeira missão pousará na Lua em 2027 para demonstrar a fabricação de tijolos in situ e a implantação de habitats. Uma segunda missão lançará a fundação do hotel dentro de uma caverna lunar, e uma terceira inaugurará o primeiro hotel lunar, com previsão de conclusão para 2032”, afirma a empresa.
Na área espacial, além da GRU Space, a Beyond Reach Labs está desenvolvendo painéis solares que se expandem até o tamanho de um campo de futebol uma vez em órbita.
Na turma da primavera, apenas uma startup se posiciona explicitamente como espacial: a Dispatch, que está tentando resolver um problema bem específico. Alguns materiais só podem ser produzidos no espaço, mas hoje é difícil trazer esses produtos de volta à Terra com segurança e custo viável. O que a startup faz é construir veículos de reentrada (ou cápsulas espaciais) que aguentam a entrada na atmosfera. Em paralelo, também planeja construir “fábricas” em órbita para produzir esses materiais no espaço.
Outro destaque do W26 é a australiana GrazeMate, que desenvolve drones autônomos para pastorear gado. Enquanto os drones pastoreiam, eles também estimam o peso dos animais, medem a biomassa das pastagens, monitoram os níveis de água e identificam animais doentes. “Estamos construindo IA física que permite a um pecuarista gerenciar milhares de cabeças em milhões de hectares pelo celular”, promete a startup.
No segmento de robótica, também de destacam a Servo7 (robôs para indústria), Origami Robotics (manipulação de propósito geral), RoboDock (robôs para frotas de carros autônomos) e Voltair (drones para observação terrestre).
Já no batch P26, as startups de robótica incluem a Avea Robotics, que desenvolve sistemas em que humanos trabalham junto com robôs para melhorar o controle e a tomada de decisão das máquinas. A Eden Robotics cria robôs e sistemas autônomos voltados para executar serviços no mundo físico, enquanto a InLoop Robotics constrói braços robóticos usados principalmente em operações de logística, como separação e empacotamento de pedidos.
O grupo inclui ainda a Twolabs, que desenvolve uma plataforma para criação e operação de robôs humanoides, a Synphony, de robôs e software voltados para automação no setor agrícola, e a Aseon Labs, de manutenção e suporte de carros autônomos.
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Uma das aceleradoras mais influentes do Vale do Silício, a Y Combinator virou uma espécie de oráculo do mercado a cada nova turma de startups escolhidas para fazer parte do programa. E a julgar pelas empresas selecionadas nos batches deste ano, a próxima fase da IA parece estar migrando para o mundo físico – e para o espaço.
No batch de inverno (W26), que encerrou em março, das 198 empresas, cerca de 30 startups estão construindo hardware ou infraestrutura para IA física, incluindo robôs, drones, wearables e chips, por exemplo. Esse número equivale a cerca de 15% da turma.
Já no batch da primavera (P26), que terminou em junho, das 197 startups escolhidas, 21 startups são de hardware, o que equivale a cerca de 10% do grupo.
As startups de agentes de IA que executam tarefas autônomas são maioria no batch de primavera da Y Combinator. E as tarefas são as mais diversas possíveis, desde analistas financeiros automatizados (Cohesion) até agentes para oficinas mecânicas de carros que ajudam a gerenciar diagnósticos, atendimento e operações de reparo de veículos (Parrot).
O movimento representa uma mudança no programa, que durante muito tempo foi sinônimo de SaaS, aplicativos e marketplaces. Mesmo na tese de inteligência artificial, a escolha das empresas mostra que a corrida já não gira apenas em torno de modelos cada vez maiores ou interfaces mais sofisticadas, mas em infraestrutura, dados proprietários, agentes especializados e sistemas capazes de atuar no mundo físico.
Se a primeira fase da inteligência artificial generativa foi marcada por softwares que ajudavam pessoas a trabalhar melhor, a próxima parece ser definida por máquinas, robôs e sistemas autônomos que executam o trabalho por conta própria.
Outro tema que chamou atenção nos batches foi energia, setor que está cada vez mais conectado à inteligência artificial. O avanço da IA tem elevado rapidamente a demanda por capacidade computacional, pressionando data centers e sistemas elétricos ao redor do mundo.
Entre as soluções desenvolvidas pelas novas startups da YC estão reatores nucleares compactos (Apollo Atomics, Inc.), sistemas de resfriamento ultra-eficientes para data centers (Madrone) e agentes de IA para planejamento de redes elétricas (Squid).
De hotel na Lua a drones que pastoreiam gado
A superfície terrestre definitivamente deixou de ser um limite para as startups, que estão cada vez mais olhando para possibilidades no espaço sideral. No batch de inverno da Y Combinator, uma das startups escolhidas foi a Galactic Resource Utilization Space, Inc. (GRU Space), que quer construir nada menos que hotéis na Lua.
Em sua página, a startup diz que construiu um hardware com patente pendente que transforma regolito lunar em tijolos e casas infláveis modulares pressurizadas, projetadas para suportar temperaturas e pressões extremas na Lua. “Nossa primeira missão pousará na Lua em 2027 para demonstrar a fabricação de tijolos in situ e a implantação de habitats. Uma segunda missão lançará a fundação do hotel dentro de uma caverna lunar, e uma terceira inaugurará o primeiro hotel lunar, com previsão de conclusão para 2032”, afirma a empresa.
Na área espacial, além da GRU Space, a Beyond Reach Labs está desenvolvendo painéis solares que se expandem até o tamanho de um campo de futebol uma vez em órbita.
Na turma da primavera, apenas uma startup se posiciona explicitamente como espacial: a Dispatch, que está tentando resolver um problema bem específico. Alguns materiais só podem ser produzidos no espaço, mas hoje é difícil trazer esses produtos de volta à Terra com segurança e custo viável. O que a startup faz é construir veículos de reentrada (ou cápsulas espaciais) que aguentam a entrada na atmosfera. Em paralelo, também planeja construir “fábricas” em órbita para produzir esses materiais no espaço.
Outro destaque do W26 é a australiana GrazeMate, que desenvolve drones autônomos para pastorear gado. Enquanto os drones pastoreiam, eles também estimam o peso dos animais, medem a biomassa das pastagens, monitoram os níveis de água e identificam animais doentes. “Estamos construindo IA física que permite a um pecuarista gerenciar milhares de cabeças em milhões de hectares pelo celular”, promete a startup.
No segmento de robótica, também de destacam a Servo7 (robôs para indústria), Origami Robotics (manipulação de propósito geral), RoboDock (robôs para frotas de carros autônomos) e Voltair (drones para observação terrestre).
Já no batch P26, as startups de robótica incluem a Avea Robotics, que desenvolve sistemas em que humanos trabalham junto com robôs para melhorar o controle e a tomada de decisão das máquinas. A Eden Robotics cria robôs e sistemas autônomos voltados para executar serviços no mundo físico, enquanto a InLoop Robotics constrói braços robóticos usados principalmente em operações de logística, como separação e empacotamento de pedidos.
O grupo inclui ainda a Twolabs, que desenvolve uma plataforma para criação e operação de robôs humanoides, a Synphony, de robôs e software voltados para automação no setor agrícola, e a Aseon Labs, de manutenção e suporte de carros autônomos.
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Artigo originalmente publicado em
startups.com.br