Vídeos de pessoas que parecem acordar no meio da madrugada para cantar, conversar ou agir como se estivessem em plena vigília costumam chamar atenção nas redes. Embora a cena pareça improvável, a medicina do sono explica que esse tipo de comportamento pode acontecer quando o cérebro entra em um estado de transição incompleto entre dormir e despertar.
O exemplo mais conhecido é o sonambulismo, mais frequente no sono profundo, quando a pessoa pode se levantar, caminhar e executar ações automáticas sem consciência do que faz. Nessa fase, áreas do cérebro ligadas ao movimento podem ficar mais ativas, enquanto regiões responsáveis por julgamento, memória e autocontrole continuam “desligadas” ou funcionando de forma parcial.
Mas o sonambulismo não é a única possibilidade. Falar dormindo, comer durante a noite e até cantar podem aparecer em quadros diferentes de parassonia, um grupo de alterações do sono que inclui comportamentos incomuns enquanto a pessoa ainda está dormindo. Em alguns casos, o fenômeno ocorre durante o sono REM, fase em que os sonhos são mais intensos e o corpo deveria permanecer paralisado.
Quando essa proteção falha, podem surgir movimentos, vocalizações e atitudes mais complexas. Fatores como privação de sono, estresse, febre, uso de álcool, medicamentos e predisposição genética podem aumentar o risco. Se os episódios forem frequentes, perigosos ou começarem na vida adulta, o ideal é buscar avaliação médica para identificar a causa e orientar o tratamento.