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O segredo da SpaceX que deixa qualquer rival 10 anos atrasado e a torna um investimento raríssimo, segundo o BTG Pactual

Redação Recifes
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O segredo da SpaceX que deixa qualquer rival 10 anos atrasado e a torna um investimento raríssimo, segundo o BTG Pactual
Foto: Jeswin Thomas / Pexels

A SpaceX (Nasdaq: SPCX) é um caso de investimentos raríssimo, na visão do BTG Pactual. Em toda tese, as grandes perguntas a serem respondidas na hora de colocar dinheiro são: quão grande é o prêmio em disputa e quão bem-posicionada a empresa está para alcançá-lo.

Para a companhia de Elon Musk, segundo o time de análise do banco, a duas respostas estão no limite do que é possível.

"Seu mercado endereçável é, literalmente, todo o espaço. E a capacidade da companhia de colocar carga em órbita por uma fração do custo de seus concorrentes lhe garante uma posição competitiva excepcional dentro dessa oportunidade", diz o BTG Pactual em relatório no qual recomenda a compra das ações, com preço-alvo em US$ 225, o que representa um potencial de alta de 40% em relação aos preços atuais.

O BTG foi o único banco brasileiro entre os coordenadores do IPO da companhia espacial, que levantou mais de US$ 75 bilhões na Nasdaq.

Qualquer um que queira alcançar a SpaceX estaria uma década atrasado

A vantagem da SpaceX em relação aos concorrentes quando o assunto são os custos só tem avançado nos últimos anos e tende a crescer ainda mais.

"Quando o primeiro Falcon 9 (o principal foguete da empresa) voou, em 2010, o custo de lançamento caiu para US$ 2,7 mil por quilo, 85% abaixo da média histórica do setor. Desde então, essa vantagem apenas aumentou", dizem os analistas.

O principal fator por trás disso foi a capacidade da SpaceX de recuperar e reutilizar de forma rotineira o primeiro estágio do Falcon 9.

Ou seja, ao invés de descartar o propulsor que se solta do foguete na decolagem, a companhia consegue recuperar, recondicionar e reutilizar esse módulo em outros lançamentos, o que diminui consideravelmente os investimentos necessários. É a reciclagem espacial impulsionando a rentabilidade da companhia.

Além disso, o BTG destaca que isso é uma curva de aprendizado, o que significa que a vantagem da companhia em relação à concorrência vem aumentando e deve continuar assim.

"Mesmo que um concorrente desenvolvesse hoje um primeiro estágio reutilizável de forma rotineira, ainda estaria pelo menos uma década atrás da SpaceX em experiência operacional, conhecimento sobre manutenção e recondicionamento, aprendizado com falhas, otimização da cadeia de fornecedores, volume de dados de voo e cadência de lançamentos.

Na avaliação do time de análise o fosso competitivo não é apenas tecnológico, mas fruto da experiência acumulada.

A SpaceX tem uma missão além de ganhar dinheiro

Além de gerar valor aos shareholders, a SpaceX está focada em tornar a vida humana multiplanetária. O BTG Pactual reconhece que isso pode parecer só uma 'balela' de marketing ou até ficção científica. No entanto, ter uma missão gera resultados mensuráveis.

"Uma empresa focada em maximizar a margem do próximo trimestre interromperia os investimentos em reutilização assim que ela se tornasse boa o suficiente. Já uma companhia cuja razão de existir é reduzir o custo de chegar a outro planeta nunca para de investir", dizem os analistas.

É por isso, segundo o banco, que o custo por quilo continua caindo muito depois de qualquer concorrente tradicional considerar a missão cumprida.

Os próximos passos da empresa de Elon Musk

O próximo passo é o Starship, o veículo de nova geração da empresa. Com ele, a SpaceX pretende reduzir em cerca de 99% o custo de acesso à órbita em relação ao padrão histórico da indústria, levando o custo marginal para poucas centenas de dólares por quilo.

"O Starship, em última instância, redefine a resposta para a pergunta: o que vale a pena enviar ao espaço?", afirma o relatório do BTG Pactual.

O banco também destaca que a companhia não pretende usar essa vantagem apenas para se tornar uma prestadora de serviços de lançamento. A ambição é muito maior: criar, possuir e operar os próprios negócios que ainda serão criados viabilizados pelo baixo custo de acesso ao espaço.

"Nesse sentido, os foguetes são um meio, e não um fim. Eles representam a infraestrutura sobre a qual pode ser construído um portfólio de empresas muito maiores e mais valiosas. Tendo lançado mais de 80% de toda a massa colocada em órbita mundial nos últimos anos, não há dúvidas de que a SpaceX detém um quase monopólio tecnológico no acesso ao espaço", ressalta o time de análise.

Mais oportunidades trilionárias?

No modelo do BTG, além da divisão de lançamentos, a empresa está posicionada para capturar duas oportunidades trilionárias construídas sobre esse fosso competitivo.

A primeira é a de conectividade, um negócio já bastante concreto. O Starlink, o serviço de internet via satélite daSpace X, atende mais de 10 milhões de assinantes em mais de 160 países, por meio de uma constelação de cerca de 10 mil satélites — aproximadamente 75% de todos os satélites atualmente em órbita.

A segunda é a inteligência artificial, uma camada de monetização mais recente, mas potencialmente muito maior.

Em março, a companhia encerrou o trimestre com 1 gigawatt (GW) de capacidade computacional terrestre voltada para IA. Além de treinar modelos como Grok e Cursor, essa infraestrutura já está sendo monetizada por meio de contratos com Anthropic e Google, a preços considerados extremamente elevados.

O BTG espera que a SpaceX encerre 2026 com 2 GW de capacidade computacional. No entanto, a maior parte do valor do modelo, que já é conservador em relação à camada de aplicações, está concentrada no potencial dos data centers orbitais.

"À medida que a demanda por capacidade computacional acelera e a infraestrutura terrestre enfrenta limitações crescentes relacionadas à disponibilidade de energia, refrigeração, terrenos e licenciamento, a possibilidade de instalar capacidade computacional, infraestrutura energética e sistemas de comunicação em órbita pode se tornar uma vantagem estratégica relevante", diz o relatório.

Por que a tese da SpaceX é tão rara

De acordo com o banco, existem empresas com fossos competitivos extraordinários, mas normalmente em mercados mais restritos. Também existem empresas expostas a mercados endereçáveis gigantescos, porém com barreiras competitivas menores.

A SpaceX é rara porque reúne os dois atributos: um mercado estruturalmente enorme e aquilo que o BTG considera um dos maiores diferenciais competitivos da indústria moderna.

Quando essas duas características coexistem, a gama de resultados possíveis naturalmente se torna muito ampla.

O banco projeta que a SpaceX alcance US$ 1 trilhão em receita até 2031. Os principais motores dessa estimativa são uma capacidade média instalada de computação de 62 GW em 2031, monetizada a aproximadamente US$ 11 por watt.

Além disso, o Starlink deve atingir 135 milhões de assinantes de banda larga e 832 milhões de assinantes móveis, com receitas médias mensais por usuário (ARPU) de US$ 35 e US$ 16, respectivamente. The post O segredo da SpaceX que deixa qualquer rival 10 anos atrasado e a torna um investimento raríssimo, segundo o BTG Pactual appeared first on Seu Dinheiro.

Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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