O touro de Milão volta ao brilho: ritual de boa sorte retorna à Galleria
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<p>Quem já pisou no coração de Milão sabe que a Galleria Vittorio Emanuele II é muito mais do que uma passagem coberta de ferro e vidro do século XIX. É um palco vivo da cidade, onde turistas e milaneses se misturam entre vitrines de grifes, cafés históricos e um chão de mosaicos que conta histórias sem dizer uma palavra. O mais famoso desses mosaicos — o touro com suas partes íntimas expostas no centro do piso — acaba de passar por um processo de restauração que devolveu ao símbolo toda a sua vivacidade cromática.</p><p>A tradição de girar três vezes sobre o calcanhar posicionado exatamente sobre os testículos do touro é um dos rituais urbanos mais curiosos da Europa. Ninguém sabe ao certo quando o costume surgiu, mas ele atravessou gerações e hoje faz parte do roteiro informal de qualquer visitante que chega à capital lombarda. A crença popular diz que completar o giro sem perder o equilíbrio garante boa sorte — e, quase como um bônus implícito, promete que aquela não será a última vez que o viajante verá os telhados de Milão.</p><p>O desgaste do mosaico ao longo dos anos era visível: o piso havia perdido cor e definição justamente no ponto mais tocado pelos pés dos visitantes. A restauração, conduzida com atenção ao material e às técnicas originais da construção, recompôs os detalhes da figura com fidelidade ao projeto histórico. O resultado é um touro que parece novo, mas que carrega o peso simbólico de tudo que já viu acontecer naquele corredor monumental.</p><p>Para os viajantes que planejam incluir Milão no roteiro, a Galleria fica a poucos passos do Duomo e funciona como uma espécie de sala de estar a céu aberto — ou melhor, sob uma cúpula envidraçada que filtra a luz da cidade de forma quase cinematográfica. Além do ritual do touro, o espaço abriga o histórico Caffè Biffi e a livraria Rizzoli, dois endereços que já bastam para justificar uma tarde inteira por ali. O mosaico restaurado é só mais uma razão para não apressar a passagem.</p>
Artigo originalmente publicado em
viagemeturismo.abril.com.br