O caminho para a Ecopetrol assumir o controle da Brava Energia (BRAV3) está livre de obstáculos regulatórios. Em decisão na quarta-feira (14), o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) atendeu ao recurso da petroleira colombiana, tornando sem efeito a suspensão que travava a Oferta Pública de Aquisição (OPA) de controle da companhia.
Para o investidor, a notícia encerra um período de incerteza que começou em junho, quando a área técnica da autarquia suspendeu a operação exigindo ajustes no edital. O imbróglio girava em torno de questionamentos sobre a adoção de preços distintos e o rateio entre os acionistas controladores e os minoritários.
Com a vitória da Ecopetrol no recurso, a oferta seguirá os termos originais, conforme comunicado da Brava ao mercado.
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Os números da OPA da Brava Energia
A operação é uma OPA voluntária para a aquisição de 25% do capital social da Brava Energia, o que representa aproximadamente 116,1 milhões de ações. O preço ofertado é de R$ 23,00 por ação BRAV3, acima dos atuais R$ 19.
Diante desse preço acima do valor de mercado das ações da Brava, é muito provável que muitos acionistas queiram vender seus papéis. Entretanto, esta oferta visa complementar a participação da Ecopetrol, que já assegurou 26% da companhia por meio de um acordo privado de compra e venda de ações.
Ao adquirir os 25% pretendidos na OPA, a colombiana atingirá o controle de 51% da Brava.
Se a soma de todas as ações que os investidores oferecerem para vender for maior que os 116,1 milhões de ações que a Ecopetrol se predispôs a comprar, a colombiana seguirá com a regra do rateio.
Na prática, a Ecopetrol não vai comprar tudo, mas sim uma porcentagem proporcional entre os interessados em vender os papéis.
Comprar ou Vender BRAV3?
Os analistas reagiram positivamente ao "destravamento" da OPA da Brava, principalmente pela redução das incertezas jurídicas e operacionais envolvendo a companhia.
O BTG Pactual manteve sua recomendação de compra para as ações BRAV3, com preço-alvo de R$ 23,00 para 12 meses — exatamente o valor oferecido na OPA.
Os analistas do banco acreditam que, no curto prazo, o desempenho da ação será ditado pela oferta, enquanto o médio prazo dependerá da estratégia da Ecopetrol para a companhia.
Para o BTG, a entrada da gigante colombiana permitirá à Brava incorporar reservas e fortalecer sua estratégia financeira e operacional.
O Citi também destaca a decisão como positiva para dissipar as incertezas, mas pondera que o cenário geopolítico é negativo para a empresa.
"Combinado com a queda nos preços do petróleo, dado o afrouxamento do conflito no Oriente Médio e as discussões sobre a oferta da commodity, vimos vários investidores se distanciando da tese de investimento da Brava."
O banco manteve sua recomendação de compra, com um preço-alvo acima da OPA, de R$ 25.
Já a XP destacou que o investidor minoritário não obteve o ganho adicional que poderia ter caso a CVM tivesse forçado um preço mais elevado na OPA ou condições de rateio mais benéficas. O relatório não reiterou recomendação ou preço-alvo.
Em relação ao futuro, os analistas do BTG ressaltam que a Brava deve apresentar uma produção mais estável e forte geração de caixa após as campanhas de investimentos nos campos de Papa-Terra e Atlanta, o que torna a tese de investimento atrativa para quem foca em geração de valor no setor de upstream (exploração e produção).
Próximos passos
Agora, a Ecopetrol deve divulgar um aditamento ao instrumento da oferta, atendendo a exigências técnicas remanescentes da CVM, e indicar uma nova data para a realização do leilão na B3.
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