O Pix transformou a forma como os brasileiros transferem dinheiro em menos de dois anos. Agora, uma empresa nacional acredita ter encontrado a próxima grande virada nos meios de pagamento: a leitura biométrica da palma da mão. A Positivo, gigante do setor de tecnologia com décadas de história no Brasil, está investindo nessa frente e já traça paralelos diretos com a trajetória do sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central.
De acordo com o vice-presidente da companhia, a analogia com o Pix não é forçada. Assim como o sistema do Banco Central precisou de infraestrutura acessível e adesão em massa do varejo para decolar, a biometria palmar depende de leitores baratos o suficiente para que pequenos e médios comerciantes consigam adotá-los sem resistência. É exatamente nesse ponto que a Positivo aposta suas fichas: desenvolver hardware nacional com custo competitivo, reduzindo a barreira de entrada que historicamente freou tecnologias similares.
A mecânica é simples para o consumidor final: ao se aproximar de um terminal, a câmera infravermelho mapeia os vasos sanguíneos da palma — um padrão único em cada pessoa — e autoriza o pagamento em segundos, sem contato físico e sem necessidade de celular ou cartão. A ausência de um dispositivo intermediário é apontada como vantagem tanto em termos de segurança quanto de praticidade, já que elimina riscos associados ao roubo de smartphones ou à clonagem de cartões.
O caminho, no entanto, não é trivial. O Pix contou com o peso regulatório e institucional do Banco Central para forçar a adoção pelos grandes bancos. A biometria palmar, por ora, depende da adesão voluntária de estabelecimentos e da confiança do consumidor em cadastrar dados biométricos junto a empresas privadas — um terreno que exige transparência e conformidade rigorosa com a Lei Geral de Proteção de Dados. A Positivo terá de construir esse ecossistema de credibilidade ao mesmo tempo em que expande a base de terminais.
Se a estratégia der certo, o Brasil pode se tornar um laboratório global para pagamentos biométricos em larga escala — papel que já exerceu com o Pix, hoje referência internacional. O setor de meios de pagamento observa a movimentação com atenção: transformar uma tecnologia promissora em hábito cotidiano exige muito mais do que inovação; exige conveniência, preço e, acima de tudo, confiança.
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