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Pai furioso, cinema asiático em chamas: 'The Furious' redefine o thriller de ação

Pai furioso, cinema asiático em chamas: 'The Furious' redefine o thriller de ação

De tempos em tempos, quando Hollywood parece entorpecida em seus próprios blockbusters inflados por CGI, chega do Oriente um soco no estômago cinematográfico. Foi assim com a franquia Raid, foi assim com o indiano Kill, e agora é a vez de The Furious, novo trabalho do cineasta Kenji Tanigaki, nascido no Japão e há muito tempo estabelecido no vibrante circuito de Hong Kong, para chacoalhar nossa percepção do que o cinema de ação é capaz de entregar.

A trama parte de uma premissa clássica e visceral: um pai comum, trabalhando como prestador de serviços gerais, se vê obrigado a cruzar os limites da lei e da dor quando sua filha é sequestrada por uma rede criminosa de tráfico humano. O que poderia soar como mais um derivado do universo Busca Implacável — e os ecos de Liam Neeson são inevitáveis — rapidamente se transforma em algo com identidade e musculatura próprias. Tanigaki não está interessado em imitar; ele quer elevar.

O grande diferencial de The Furious está na sua coreografia de combate. Cada sequência de luta é construída com uma precisão quase obsessiva, equilibrando brutalidade realista com a beleza plástica das artes marciais tradicionais. O protagonista não é um super-agente nem um ex-militar: é um homem comum empurrado ao limite, e essa humanidade confere peso emocional a cada golpe desferido. A dor importa. O cansaço aparece. O perigo é palpável.

Para os fãs do gênero, The Furious representa exatamente o tipo de experiência que o streaming global tem facilitado: produções asiáticas que antes ficavam restritas a festivais especializados agora chegam com força total a novos públicos, disputando espaço e atenção com os estúdios americanos no seu próprio jogo. E, muitas vezes, vencendo. O filme é mais uma prova de que o cinema de ação mais inventivo e fisicamente comprometido do mundo não vem de Los Angeles — vem de Tóquio, Seul, Mumbai e Hong Kong.

Se você ainda não reservou sua sessão, considere este o seu sinal. The Furious é o tipo de obra que lembra por que salas escuras e telas grandes existem: para nos fazer sentir algo com intensidade total, do primeiro ao último frame.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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