Ao comentar a expectativa pela visita do papa Leão XIV à França, em setembro, o arcebispo de Reims afirmou que o Pontífice vai encontrar uma Igreja em processo de transformação. A leitura do prelado parte de um dado incontornável: a França segue entre os países mais secularizados da Europa, mas isso não significa ausência de movimento religioso.
Na avaliação do arcebispo, a paisagem católica francesa já não é a mesma de décadas atrás. Paróquias mais enxutas, novas formas de presença evangelizadora e uma relação diferente com a sociedade exigem da Igreja criatividade pastoral e disposição para dialogar com um ambiente cultural menos marcado pela prática religiosa cotidiana.
Ao mesmo tempo, ele chama atenção para um sinal que tem despertado esperança entre os bispos franceses: o crescimento do número de catecúmenos, adultos que pedem o Batismo e ingressam na vida da Igreja. Para o arcebispo, esse dado mostra que a fé continua encontrando espaço, inclusive entre pessoas que não cresceram em lares católicos ou que retornam à Igreja depois de um afastamento prolongado.
Nesse contexto, a visita do papa tende a ser observada como uma oportunidade de fortalecimento espiritual e de escuta mútua. Mais do que um evento protocolar, a presença de Leão XIV deve ser recebida como um gesto de proximidade com uma comunidade que tenta responder, com serenidade, aos desafios da secularização e aos sinais discretos de renovação que surgem no país.