O crescimento das e-bikes e de outros veículos de micromobilidade vem transformando a mobilidade urbana, mas também criando um custo cada vez mais alto para seguradoras e operadores. Em pouco mais de sete anos desde a primeira reclamação por lesão envolvendo esse tipo de veículo, as indenizações já passaram de £110 milhões, um sinal de que a conta deixou de ser marginal.
O problema não está apenas no número de acidentes, mas na dificuldade de atribuir responsabilidade quando a colisão envolve bicicletas compartilhadas, veículos furtados ou condutores sem identificação clara. Em muitos casos, a vítima enfrenta um caminho longo para receber compensação, enquanto as empresas do setor lidam com um risco novo, ainda mal calibrado pelas apólices tradicionais.
Esse cenário ajuda a explicar a alta dos prêmios de seguro. À medida que aumentam as reclamações, as seguradoras repassam parte desse risco para clientes e operadores, elevando o custo de cobertura e, em alguns mercados, tornando a operação mais cara para plataformas de aluguel e frota corporativa.
Para o setor automotivo e de mobilidade, o recado é direto: a eletrificação em duas rodas trouxe eficiência e menos emissões, mas também exige regras mais rígidas, fiscalização mais clara e produtos de seguro desenhados para uma realidade que não existia há menos de uma década. Sem isso, a expansão das e-bikes pode continuar virando uma dor de cabeça financeira para quem opera e para quem se expõe ao trânsito urbano.