A PDG Realty (PDGR3), que já foi a construtora mais valiosa do mercado, segue lidando com crises. Dessa vez, os ruídos vêm da decisão de retirar Maurício Tiso de Souza dos cargos de diretor presidente e de diretor de relações com investidores.
Segundo documento divulgado ao mercado na noite de ontem (13), o conselho de administração aprovou a destituição do executivo, substituindo-o por Roberto Giarelli, que assume as funções com efeito imediato.
“A administração confia que sua experiência e dedicação já comprovadas contribuirão de forma significativa para as atividades da companhia nesta nova fase”, afirmou a PDG Realty em fato relevante.
No entanto, o ex-CEO questionou a decisão, indicando uma possível disputa arbitral, segundo a ata da reunião.
A mudança ocorre em meio ao julgamento pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de uma proposta falsa de compra da empresa pela companhia chinesa Sun Hung Kai Properties (SHKP).
Disputa no conselho da PDG Realty
A ata da reunião revela que Tiso de Souza tentou adiar a discussão sobre a troca de gestão, sob o argumento de irregularidades no processo.
Segundo o então CEO, não havia documentos comprobatórios e nem fundamentação econômica para a substituição. Ele ainda afirmou que a própria convocação da reunião informou explicitamente que não havia suporte para as matérias da pauta.
Tiso de Souza afirma que isso impede uma "deliberação informada, refletida e desinteressada", requisito essencial para o dever de diligência dos conselheiros.
“Deliberar a destituição do principal executivo de companhia aberta, sob fundamento econômico, sem acesso prévio a um único documento, é incompatível com esse padrão”, disse.
Durante a manifestação do voto do ex-presidente da PDG Realty, que se posicionou contra a medida, ele ainda indicou uma possível disputa arbitral.
Segundo a ata, Tiso de Souza afirmou que, caso a solicitação de adiamento fosse rejeitada e o conselho insistisse na deliberação imediata do assunto, ele estaria “reservando-se todos os direitos e medidas cabíveis, inclusive perante a Câmara de Arbitragem do Mercado”.
Apesar de ter sido destituído dos cargos de diretor presidente e de relações com investidores, ele segue como membro do conselho de administração.
Na mira da CVM
Vale lembrar que o ex-CEO é parte no processo da CVM em relação à proposta falsa de compra da PDG Realty, que foi à julgamento em abril deste ano.
O caso ocorreu em fevereiro do ano passado, quando a companhia disse ter recebido uma oferta da SHKP para a aquisição da totalidade das suas ações. De acordo com o documento, a oferta era de US$ 29,6 milhões.
Porém, a empresa chinesa negou ter enviado qualquer proposta à construtora brasileira. Ainda assim, após o anúncio, a PDG teve um pico de negociações na bolsa, o que levantou dúvidas sobre uma possível manipulação de mercado.
O caso chamou a atenção da xerife dos mercados: a CVM abriu um processo administrativo para investigar o que aconteceu.
Em meio à apuração, a CVM acusou o CEO e diretor de relações com investidores da PDG, cargos que eram ocupados por Tiso de Souza, em processo sancionador sobre “eventual prestação de informações falsas”.
O agora ex-CEO havia assumido o cargo semanas antes de a oferta falsa surgir.
O que aconteceu com a incorporadora?
Desde o fim da recuperação judicial em 2021, a empresa segue lutando para retomar lançamentos. No entanto, enfrenta desafios como a falta de crédito no mercado imobiliário e desconfiança de consumidores com a marca.
Além disso, embora a empresa esteja avançando na agenda de futuros lançamentos, as obrigações financeiras seguem pesando no balanço da companhia.
No primeiro trimestre deste ano, a PDG Realty registrou que a alavancagem da empresa, somando as dívidas extraconcursais, dívidas concursais e o custo a incorrer, totalizou R$ 1,51 bilhão.
A construtora apresentou ainda receita líquida de R$ 6,8 milhões, uma queda de 73% em comparação com o mesmo período de 2025. Com isso, ela amargou um prejuízo de R$ 8 milhões nos três primeiros meses de 2026.
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