O pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo e símbolo da biodiversidade amazônica, segue sendo uma fonte acessível de proteína para quem vive em Rondônia. Segundo levantamento realizado pela Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO) na terceira semana de julho, o valor médio pago diretamente ao produtor pelo quilo do peixe ficou em R$ 9,36 — um preço que reflete tanto a abundância regional quanto o papel estratégico da piscicultura para a economia local.
A pesquisa, conduzida entre os dias 16 e 20 de julho, mapeou os preços praticados nas unidades produtivas de diversas cidades rondonienses. Porto Velho, a capital do estado, registrou o valor mais elevado entre os municípios pesquisados, com o quilo sendo comercializado a R$ 11,00 — cerca de 17% acima da média estadual. Essa diferença evidencia como fatores logísticos e a demanda urbana influenciam diretamente a precificação no elo inicial da cadeia produtiva.
O pirarucu vem ganhando espaço crescente na aquicultura brasileira, especialmente na região Norte. Criado em cativeiro com técnicas cada vez mais refinadas, o peixe se destaca pelo alto rendimento de carne — sua proporção de filé em relação ao peso total é uma das maiores entre as espécies cultivadas no país. Para os produtores rurais de Rondônia, a atividade representa não apenas renda, mas também uma alternativa sustentável à pesca extrativista, que permanece regulamentada para proteger os estoques naturais da espécie.
Do ponto de vista nutricional e cultural, o pirarucu ocupa lugar central na culinária amazônica. Rico em proteínas e com sabor característico, ele aparece em preparações tradicionais como o pirarucu de casaca e o pirarucu assado na brasa — pratos que atravessam gerações e conectam populações ribeirinhas à sua identidade. Com preços competitivos na ponta da produção, o desafio que permanece é garantir que essa acessibilidade chegue também ao consumidor final nas feiras e mercados da região.