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PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil

Redação Recifes
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PIX, corrupção, ações contra big techs e até desmatamento: os argumentos do governo Trump para novo tarifaço contra o Brasil

O presidente dos EUA, Donald Trump, na Cúpula de Defesa e Inovação da Pensilvânia, na Escola de Guerra do Exército dos Estados Unidos, em Carlisle, Pensilvânia, EUA, em 15 de julho de 2026. Reuters/Kylie Cooper O governo Trump utilizou uma série de argumentos para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil nesta quinta-feira (16). Os fatores indicados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) variam entre os aspectos econômico, jurídico e até ambiental. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A tarifa adicional contra os produtos brasileiros foi confirmada na madrugada desta quinta-feira, e a medida entrará em vigor em 22 de julho. Veja os itens afetados e os isentos. Segundo o USTR, o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que "várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos". Veja abaixo os argumentos utilizados pelo USTR para a aplicação do tarifaço: PIX; Corrupção no Brasil; Ações do STF contra as big techs; Tratamento injusto na política de tarifas brasileira; Proteção inadequada à propriedade intelectual; Tarifas sobre o etanol; Desmatamento. Veja mais abaixo o que o USTR falou sobre cada um desses assuntos. Agora no g1 Apesar do tarifaço ser uma medida econômica, o governo Trump tem indicado que a medida tem caráter político. Isso pode ser visto tanto na gama de argumentos utilizados pelo USTR, que não envolvem apenas fatores econômicos, quanto uma acusação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de que o governo Lula de "não negociar de boa-fé". O presidente Lula repudiou a nova tarifa aplicada pelos EUA e afirmou que aplicará a Lei de Reciprocidade em resposta. Leia aqui como funciona essa lei. Argumentos para novo tarifaço Sobre o PIX, o USTR afirmou que o banco central brasileiro "desfavoreceu provedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA, ao mesmo tempo em que favorece seu sistema nacional". Sobre a corrupção, o USTR alegou que "não é algo novo" no Brasil, porém o país "se afastou ainda mais das normas globais relacionadas ao combate ao suborno e à corrupção". O gabinete citou um Índice de Percepção da Corrupção (CPI) da Transparency International, em que a máquina pública brasileira teria pontuado apenas 35 de 100 pontos possíveis. Sobre as ações contra as big techs, o USTR relembrou ordens de restrição emitidas pelo STF nos últimos anos contra algumas redes sociais, como o bloqueio Rumble e uma suspensão temporária do X. Essas medidas foram justificadas pela Justiça brasileira por conta das plataformas terem se recusado a cumprirem leis do país ou ordens de retirada de conteúdo. Sobre a política de tarifas brasileira, o USTR acusou o Brasil de adotar "tratamento injusto e preferencial", e publicou um gráfico que supostamente mostraria favorecimento ao México e à Índia, em detrimento dos EUA. Entre as críticas apresentadas estão o desmatamento ilegal na Amazônia, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, falhas na proteção da propriedade intelectual, dificuldades de acesso ao mercado brasileiro de etanol e o funcionamento do sistema de pagamentos PIX. Na área ambiental, o órgão afirmou que a exploração ilegal de madeira na Amazônia contribui para reduzir os preços internacionais do produto e prejudica a competitividade da indústria madeireira americana. O USTR também alegou que algumas esferas de governo no Brasil têm reduzido incentivos voltados ao combate ao desmatamento. Em relação ao comércio digital, os americanos criticaram decisões de tribunais brasileiros que determinaram a remoção de conteúdos de plataformas como X, Meta e Google, além da suspensão de contas e da aplicação de multas em caso de descumprimento das ordens judiciais. O governo americano também afirma que o Brasil oferece tratamento tarifário preferencial a países como México e Índia em centenas de produtos, com alíquotas inferiores às aplicadas aos exportadores dos Estados Unidos. Outro ponto citado foi a proteção à propriedade intelectual. O USTR lembra que o Brasil permanece desde 2007 na chamada "Watch List" do relatório Special 301, documento anual que monitora países considerados problemáticos na proteção de patentes, marcas e direitos autorais.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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