A pesquisa do Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo coloca em evidência uma questão incômoda para gestores públicos: a população de São Paulo vê como insuficiente a presença das forças policiais nas ruas. De acordo com o levantamento que ouviu mais de 1.600 eleitores entre o início de julho em 71 cidades do estado, um quinto dos paulistas aponta a deficiência no patrulhamento como o maior desafio a ser enfrentado na segurança pública.
Esse percentual não é uma minoria marginal. Quando se trata de diagnósticos sobre falhas estruturais de políticas públicas, 20% de concordância em levantamentos dessa magnitude representa um sinal de alerta legítimo, especialmente quando o tema mobiliza o cotidiano de milhões de pessoas. O resultado sugere que o sentimento de desamparo diante da criminalidade está intrinsecamente ligado à visibilidade reduzida das instituições responsáveis pela segurança urbana.
A questão extrapola simplificações: aumentar efetivos não é apenas questão orçamentária, mas toca em problemas estruturais de planejamento operacional, qualificação de pessoal, inteligência criminal e coordenação entre órgãos. O fato de moradores em 71 municípios compartilharem essa percepção indica tratar-se de uma dinâmica que permeia diferentes regiões do estado, não um problema localizado.
Do ponto de vista político, esses dados funcionam como prestação de contas. Quando cidadãos elegem a ausência de policiamento como prioridade máxima na segurança, governo e instituições precisam incorporar isso em suas agendas de investimento. Ignorar esse diagnóstico equivale a desconhecer o que os paulistas enxergam como urgência real.
O levantamento, portanto, não apenas fornece números. Revela uma lacuna entre expectativas públicas e respostas institucionais, estabelecendo um parâmetro claro pelo qual gestores serão medidos nos próximos tempos. Negligenciar essa mensagem seria um erro político e administrativo grave.