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Por que as ações de tecnologia despencaram e o que isso tem a ver com a IA

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A forte queda das ações de tecnologia observada nesta terça-feira (23) levantou dúvidas sobre o momento vivido pelo setor de inteligência artificial (IA). O movimento começou na Ásia, onde o índice sul-coreano Kospi despencou 9,99%, pressionado por quedas de 12,31% da Samsung e de 12,47% da SK Hynix, antes de se espalhar para Europa e Estados Unidos e atingir empresas ligadas à infraestrutura da IA, como Nvidia e Micron.



Em Wall Street, o Nasdaq Composite fechou o dia em queda de 2,21%, enquanto o S&P 500 recuou 1,44%. Fabricantes de chips e componentes para IA ficaram entre os principais destaques negativos do pregão, ampliando um movimento que colocou o setor de tecnologia sob pressão em diferentes mercados.



Embora o tombo tenha reacendido discussões sobre uma possível desaceleração do entusiasmo com a IA, especialistas ouvidos pelo Olhar Digital avaliam que o episódio parece estar mais relacionado a uma reavaliação das expectativas dos investidores do que a uma mudança na percepção sobre o potencial da tecnologia.



O índice Kospi encerrou o pregão com queda de 9,99%, refletindo a forte pressão sobre ações de tecnologia na Coreia do Sul – Imagem: Reprodução / Google Finanças


O que provocou a queda das ações de tecnologia?



O movimento ganhou força após um dia de fortes perdas para empresas ligadas à cadeia de semicondutores. Na Coreia do Sul, o índice Kospi encerrou o pregão com queda próxima de 10%, pressionado principalmente pelo desempenho de Samsung e SK Hynix, duas das maiores fornecedoras de memória para aplicações de inteligência artificial.



Como as duas companhias possuem peso relevante no mercado sul-coreano e estão entre as principais fornecedoras de memória para aplicações de IA, o movimento acabou ampliando o impacto sobre o índice.



A venda de ações se espalhou para outros mercados ao longo do dia. Fabricantes de chips e empresas associadas ao avanço da IA ficaram entre os principais destaques negativos, ampliando um movimento que já vinha sendo acompanhado com atenção por investidores diante das elevadas valorizações acumuladas pelo setor nos últimos meses.



Nos Estados Unidos, a pressão foi especialmente forte sobre empresas ligadas à infraestrutura da IA. A Nvidia encerrou o pregão com queda de 4,13%, enquanto a Micron perdeu 13,18% às vésperas da divulgação de seus resultados trimestrais. O Nasdaq Composite terminou o dia em baixa de 2,21%.



Relatos de analistas de mercado e veículos especializados apontam uma combinação de fatores por trás da correção. Entre eles estão a realização de lucros após meses de forte valorização das ações de tecnologia, preocupações com avaliações consideradas elevadas para empresas ligadas à IA, dúvidas sobre a velocidade com que os investimentos bilionários no setor serão convertidos em retorno financeiro e a expectativa em torno dos próximos resultados da Micron, considerada uma referência para o mercado de memória voltado à inteligência artificial.



Fernando Moulin, CEO e fundador da Polaris, explicou ao Olhar Digital que o movimento também reflete um debate que acompanha o mercado há anos. Segundo ele, existe uma preocupação recorrente sobre até que ponto as avaliações das empresas de tecnologia refletem fundamentos sólidos ou expectativas excessivamente otimistas.




Sempre que surge algum resultado corporativo, uma movimentação relevante de grandes investidores ou mesmo uma especulação de mercado que sugira que os preços possam estar excessivamente elevados, ocorre um efeito manada.
Fernando Moulin, CEO e fundador da Polaris



Segundo Moulin, nesses momentos muitos investidores optam por realizar lucros, especialmente porque os papéis ligados à tecnologia acumularam fortes altas nos últimos anos. Na avaliação do especialista, episódios como o observado nesta terça-feira podem representar movimentos de correção e ajuste após períodos de alta expressiva.



Investidores reavaliaram posições em empresas de tecnologia após meses de forte alta das ações ligadas à inteligência artificial – Imagem: jtrumpt / Shutterstock


O mercado está perdendo a confiança na IA?



Apesar da intensidade da queda, os especialistas ouvidos pelo Olhar Digital avaliam que ainda é cedo para interpretar o movimento como um sinal de perda de confiança na inteligência artificial.



Lucas Gilbert, especialista em tecnologia digital, disse ao Olhar Digital que a principal questão não está relacionada ao desempenho operacional das empresas, mas às expectativas que o mercado passou a embutir em seus preços após meses de ganhos acelerados.




O que está caindo não é o resultado da empresa, é a expectativa que o mercado tinha embutido no preço.
Lucas Gilbert, especialista em tecnologia digital



Segundo Gilbert, a demanda por chips voltados para inteligência artificial continua elevada. Ele cita como exemplo a Micron, que, mesmo após o movimento de correção, ainda acumula forte valorização ao longo do ano. Na avaliação do especialista, isso sugere que os investidores estão reavaliando projeções futuras e não necessariamente questionando a relevância da tecnologia.



Fernando Moulin compartilha uma visão semelhante. Para ele, o episódio observado nesta terça-feira reflete muito mais um ajuste de curto prazo do que uma mudança estrutural na percepção sobre a IA.



Segundo o executivo, o mercado continua enxergando a inteligência artificial como uma tecnologia capaz de transformar a forma como empresas operam e tomam decisões. Ao mesmo tempo, investidores seguem tentando entender qual será o ritmo de monetização dos bilhões de dólares investidos em infraestrutura, modelos e aplicações de IA.




Movimentos de correção como o observado hoje costumam ocorrer quando investidores reavaliam expectativas e realizam parte dos ganhos acumulados, sem que isso necessariamente represente uma mudança na tese de longo prazo para o setor.
Fernando Moulin, CEO e fundador da Polaris



A expansão da inteligência artificial tem impulsionado investimentos bilionários em data centers e infraestrutura computacional – Imagem: IR Stone/Shutterstock


Para Gilbert, parte da volatilidade atual também está relacionada ao fato de muitas empresas terem atingido níveis de valorização que pressupunham um cenário quase perfeito para os próximos anos. Nessa situação, explica o especialista, nem sempre é necessária uma notícia negativa para provocar quedas relevantes.




O que está em xeque não é se a IA é útil, é se o preço que o mercado pagou por algumas dessas empresas fazia sentido.
Lucas Gilbert, especialista em tecnologia digital



Por que Samsung, SK Hynix e Nvidia puxaram a queda?



Embora o movimento tenha atingido empresas de tecnologia de diferentes segmentos, os fabricantes de semicondutores concentraram parte importante das perdas observadas ao longo do dia. Isso acontece porque os chips se tornaram um dos principais pilares da corrida global pela inteligência artificial.



Nos últimos anos, empresas como Nvidia, Samsung, SK Hynix e Micron passaram a ocupar uma posição estratégica na cadeia de fornecimento da IA. Seus produtos são utilizados em data centers e sistemas responsáveis por treinar e operar modelos de inteligência artificial, tornando o desempenho dessas companhias um termômetro para as expectativas do mercado em relação ao setor.



Fabricantes de semicondutores ocupam posição central na cadeia que sustenta o avanço da inteligência artificial – Imagem: metamorworks / Shutterstock


Segundo Lucas Gilbert, a interdependência entre essas empresas ajuda a explicar por que a turbulência se espalhou tão rapidamente entre diferentes mercados.



“A Nvidia precisa da memória da Samsung, da SK Hynix e da Micron para fazer os chips dela funcionarem. Como estão todos apostando na mesma coisa, que a IA vai continuar crescendo nesse ritmo pra sempre, quando a confiança trinca em um ponto ela trinca no setor inteiro de uma vez”, afirma.



Além da forte conexão entre as empresas, investidores também acompanham com atenção o ritmo dos investimentos em infraestrutura para IA. Nos últimos meses, fabricantes de chips e gigantes da tecnologia anunciaram planos bilionários para ampliar capacidade produtiva, construir data centers e desenvolver novas gerações de hardware voltados à inteligência artificial.



Esse cenário ajudou a impulsionar as ações do setor, mas também elevou as expectativas em torno dos resultados futuros dessas companhias. Quando surgem dúvidas sobre a velocidade de crescimento da demanda ou sobre a capacidade de transformar investimentos em lucro, as empresas ligadas à infraestrutura da IA costumam ser as primeiras a sentir os efeitos.
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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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