Em provas de longa distância, a fama de resistência costuma ser disputada passo a passo. Mas um levantamento com mais de 873 mil participações na Maratona de Berlim sugere que, quando a corrida aperta, os homens têm mais chance de “quebrar” do que as mulheres.
O estudo aponta que a diferença não se resume a preparo físico ou força de vontade. Uma das hipóteses centrais é estratégica: muitos homens largam em ritmo mais agressivo, gastando energia cedo demais e aumentando o risco de queda brusca de desempenho na reta final.
Há também um componente biológico. Em média, mulheres tendem a utilizar a energia de forma mais eficiente em esforços prolongados, com maior participação do metabolismo de gordura e menor dependência imediata do glicogênio, o combustível que costuma se esgotar quando o ritmo é forte demais por tempo demais.
Na prática, o recado vale para qualquer maratonista: correr bem uma prova de 42 quilômetros exige menos heroísmo inicial e mais paciência tática. A diferença entre terminar forte e desabar no caminho pode estar justamente na capacidade de controlar o ritmo desde os primeiros quilômetros.