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Por que jogadores de futebol estão cortando as meias? A ciência explica

Redação Recifes
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Por que jogadores de futebol estão cortando as meias? A ciência explica
Foto: Franco Monsalvo / Pexels

Uma cena tem se repetido com frequência durante os jogos da Copa do Mundo de 2026: diversos jogadores entram em campo com furos na região da panturrilha de suas meias. A prática, que alimentou diferentes teorias nas redes sociais sobre uma possível vantagem competitiva, não é novidade no futebol, mas ainda não possui comprovação científica de que melhore o desempenho dos atletas.

O costume já havia sido observado em competições, como a UEFA Euro, as Olimpíadas e outros torneios nacionais e internacionais ao longo da última década. Apesar da popularização, especialistas afirmam que não existem evidências de que cortar as meias aumente a performance ou reduza o risco de lesões.

Por que os jogadores fazem furos nas meias?

As meias utilizadas por jogadores profissionais são projetadas para se ajustarem firmemente às pernas;

Além de manterem as caneleiras no lugar, elas oferecem suporte ao tornozelo, ao arco do pé e à panturrilha, ajudam no controle da umidade e reduzem o movimento dos pés dentro das chuteiras, aumentando a estabilidade;

Embora os materiais tenham evoluído ao longo dos anos, tornando-se mais leves e resistentes, elas continuam sendo fabricadas principalmente com fibras sintéticas, como poliéster, nylon e elastano;

Mesmo assim, muitos jogadores relatam que as meias exercem compressão excessiva na panturrilha, provocando sensações de formigamento e dormência. Em alguns casos, o desconforto é tão grande que os atletas fazem cortes no tecido ainda durante a partida para aliviar a pressão.

O que acontece com a panturrilha durante o jogo de futebol?

Segundo a explicação biomecânica apresentada pelos pesquisadores, durante arrancadas e mudanças bruscas de direção, o maior músculo da panturrilha se contrai e aumenta temporariamente de espessura para gerar a força necessária para impulsionar o atleta.

Essa alteração ocorre milhares de vezes ao longo de uma partida. Para alguns jogadores, essa expansão repetitiva do músculo, combinada com a compressão constante da meia, pode gerar uma sensação de pressão na região.

Com o tempo, espalhou-se entre os próprios atletas a ideia de que abrir furos no tecido permitiria ao músculo “respirar”, aliviando a pressão e reduzindo dores ou cãibras.

Boleiros da Copa de 2026 seguem cortando seus meiões – Imagem: Divulgação/Adidas

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Ciência não encontrou benefícios

Apesar da popularidade da prática, especialistas em medicina esportiva e recuperação física ouvidos pela WIRED destacam que não existem estudos demonstrando benefícios decorrentes do corte das meias.

Ao contrário, grande parte das pesquisas sobre roupas de compressão indica que, quando corretamente projetadas e ajustadas ao corpo, elas podem contribuir para limitar a inflamação muscular após esforços intensos.

Mesmo sem respaldo científico, o hábito continua se espalhando entre jogadores profissionais e hoje é visto principalmente como um comportamento baseado em experiências individuais, e não em evidências científicas.

As regras do futebol também não proíbem a modificação das meias, desde que o equipamento permaneça seguro e as caneleiras continuem devidamente cobertas. Já camisas rasgadas, por exemplo, não são permitidas durante as partidas.

O efeito pode ser psicológico

Diante da ausência de comprovação fisiológica, especialistas acreditam que parte do fenômeno possa ser explicada pela percepção de conforto do próprio atleta.

No esporte de alto rendimento, como o futebol, a sensação de bem-estar pode influenciar a confiança do jogador durante a partida. Se um atleta acredita que determinada peça de roupa restringe seus movimentos, eliminar esse incômodo pode fazê-lo sentir-se mais livre para correr, acelerar ou mudar de direção, mesmo que seu desempenho objetivo permaneça inalterado.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que isso não significa que o desconforto seja imaginário. A percepção de pressão, restrição ou conforto varia de acordo com fatores como anatomia, sensibilidade individual e experiências anteriores. Assim, dois jogadores utilizando exatamente o mesmo equipamento podem ter sensações completamente diferentes.

Até o momento, as evidências disponíveis indicam que cortar as meias não oferece vantagem competitiva nem reduz o risco de lesões. Para os especialistas, o fenômeno parece se assemelhar a outros rituais comuns no esporte, cujo principal efeito é psicológico, e não fisiológico. O post Por que jogadores de futebol estão cortando as meias? A ciência explica apareceu primeiro em Olhar Digital.

Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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