As empresas de serviços básicos estão em quase todas as recomendações dos analistas devido a previsibilidade de receita e resiliência em tempos de crise. Chamadas de ações defensivas, dois nomes com essas características entraram na lista do Safra: Copasa (CSMG3) e Sabesp (SBSP3).
Os analistas do banco atualizaram a recomendação dos papéis de neutro para compra, indicando perspectivas favoráveis de crescimento para os próximos anos. Além de serem empresas de serviços básicos, as duas companhias passaram pelo processo de privatização recentemente, que deve contribuir para melhorias operacionais.
"As projeções incorporam redução de custos, estratégias comerciais mais eficientes e avanços na gestão da inadimplência devido à privatização. Esses fatores devem contribuir para a expansão das margens e para uma geração de caixa mais robusta", escrevem Daniel Travitzky e Ricardo Bello, em relatório.
Ao rever os modelos para Sabesp e Copasa, os analistas atualizaram os preços-alvos estimados para os próximos meses.
No caso da Copasa, o preço-alvo passou de R$ 65 para R$ 76 ao fim de 2026, o que significa um potencial de valorização de 20% em relação ao preço atual, de R$ 63,5. Já para Sabesp, a alta foi de R$ 29 para R$ 33, um potencial de alta de cerca de 14%.
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O que Copasa e Sabesp oferecem
" A principal vantagem das empresas de saneamento está na baixa sensibilidade ao ciclo econômico. A demanda por serviços de água e esgoto tende a permanecer estável, independentemente das oscilações da atividade econômica", dizem os analistas.
Além disso, a expansão da cobertura dos serviços continua sendo um importante vetor de crescimento para as duas companhias.
Tanto a Copasa quanto a Sabesp assumiram na privatização compromissos com a universalização do serviço de saneamento, o que deve impulsionar investimentos e receitas ao longo dos próximos anos.
Após atualizar os modelos, o banco elevou as estimativas de resultado operacional para ambas as empresas. As projeções de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Copasa cresceram cerca de 8% para o período entre 2027 e 2028. No caso da Sabesp, a revisão foi de aproximadamente 3%.
As projeções incorporam redução de custos, estratégias comerciais mais eficientes e avanços na gestão da inadimplência. Esses fatores devem contribuir para a expansão das margens e para uma geração de caixa mais robusta.
Regulamentação para o bem e para o risco
Outro ponto que sustenta a visão positiva dos analistas do Safra para a Sabesp e a Copasa é o ambiente regulatório.
O marco regulatório do saneamento estabelece mecanismos que favorecem a previsibilidade dos retornos. Entre eles estão a definição de uma remuneração adequada sobre os investimentos e incentivos para ganhos de eficiência.
Na avaliação do Safra, essas características ajudam a preservar a geração de caixa das companhias mesmo em períodos de investimentos mais elevados.
Em São Paulo, por exemplo, a Sabesp tem a chance de participar de novos leilões de áreas adicionais que não estavam inicialmente em seu contrato de privatização. Há expectativa de que o processo aconteça ainda em 2026.
Em Minas Gerais, existem cerca de 300 municípios aos quais a Copasa fornece água, mas não rede de esgoto. Para o banco, essa expansão de serviços representa uma oportunidade para a companhia crescer.
Mas há um contraponto para ficar de olho: as eleições estaduais.
Travitzky e Bello ponderam sobre a possibilidade de ruídos durante o pleito, visto que os governos de Minas Gerais e São Paulo permanecem acionistas das companhias.
Além disso, os estados têm papel importante na definição das regras regulatórias e uma mudança de governo pode ter impacto significativo.
O Safra afirma que o contrato da privatização ajuda a diminuir esses riscos, mas é algo para se levar em consideração.
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