Por que os jogos novos estão perdendo força, e o que os dados mostram
Maior receita de distribuidoras do PC vem de fora do top 20
De acordo com o Relatório de Jogos para PC e Consoles de 2026, mais da metade da receita dessas plataformas de PC vem de jogos fora do top 20 de games mais jogados. O crescimento foi de 48% para 56% no ano de 2025. Além disso, o tempo de jogo nesses games aumentou em 44% para esses jogos, enquanto o tempo gasto em jogos do top 20 permaneceu praticamente estável ou com uma leve queda.
O top 20 de jogos com mais tempo de jogo em 2025, que já exclui muitos dos grandes lançamentos do ano – Fonte: PC and Console Gaming Report 2026 / Newzoo
Os principais jogos dentro e fora dos PCs
Os games que mais se beneficiaram desse crescimento foram jogos contínuos e duradouros, como Cyberpunk 2077, Elden Ring, Path of Exile 2 e até mesmo o bom e velho Skyrim. Além dos RPGs de Ação, outros jogos bem populares são os de sobrevivência como Rust e DayZ.
Quanto ao Playstation, as franquias esportivas ainda continuam bem populares, mas estão abaixo do top 20. Já os jogadores que voltam aos jogos antigos procuram aqueles exclusivos de prestígio como God of War Ragnarök, Ghost of Tsushima, Spider-Man 2 e The Last of Us Part 2. Em contrapartida, o Xbox consolidou o Game Pass, tendo em alta os jogos disponíveis no seu catálogo, enquanto jogos novos representam menos de 1% do tempo de jogo.
O que está errado com os jogos AAA hoje?
Apesar de estarem cada vez mais impressionantes em todos os aspectos, os jogos AAA novos têm apresentado muitos problemas. São complicações que influenciam muito a percepção do público gamer, sendo provavelmente um dos principais fatores por trás da queda de popularidade do jogo novo atualmente.
Aversão ao risco e falta de inovação
Devido aos altos custos de produção, há uma tendência da indústria em investir de forma segura, o famoso “em time que está ganhando não se mexe”. O que faz com que os estúdios prefiram investir em sequências e mais sequências, remasters, remakes, gêneros e fórmulas já consolidadas para minimizar os riscos.
Entretanto, investir nessas estratégias também traz o famoso “mais do mesmo”. Os jogos serem de mundo aberto tem sido praticamente obrigatório. Os mapas massivos parecem cada vez mais ser um meio de justificar investimentos milionários do que qualidade. A falta de inovação, de trazer algo realmente novo, tem desanimado o público, ainda mais diante do preço cada vez mais elevado dos jogos.
Preço e formas de monetização
O preço dos jogos AAA tem sido uma constante reclamação por parte da comunidade gamer. Mesmo para aqueles de países com moeda mais forte, pagar US$70 em um jogo é considerado um preço muito alto para a maioria deles. Além disso, jogos como Mario Kart World já estão custando $80, enquanto há a possibilidade do GTA 6 sair a €90 em seu lançamento. Isso seria praticamente o terceiro aumento nessa geração de consoles.
Além dos preços mais elevados há também as outras práticas de monetização. O Game as a Service, que transforma o jogo em um serviço constantemente atualizado, obriga a gastar mais em um jogo que já custou muito. Já as microtransações frequentemente substituem as recompensas antes dadas por avançar e explorar o jogo, substituindo algo satisfatório por puro dispêndio de dinheiro.
Lançamentos precipitados e patches de correção
Mesmo com preços mais elevados, a qualidade dos jogos tem deixado muito a desejar nos quesitos de performance e funcionalidade. Jogos novos chegam cada vez menos otimizados, enquanto recursos como DLSS e Frame Generation têm sido mandatórios para rodar os jogos. Eram recursos concebidos para tornar os jogos mais leves, mas que hoje são necessários mesmo em hardwares mais potentes.
Entretanto, bugs e glitches continuam sendo algo frequente no lançamento de um jogo. Mesmo depois de toda repercussão negativa de Cyberpunk 2077, incluindo quedas nas ações da empresa e reembolsos históricos de aproximadamente 850 mil cópias, esse problema ainda persiste. Jogos como Mortal Kombat 1 apresentaram problemas que afetaram principalmente seu competitivo – um carro-chefe da franquia atualmente – e MindsEye, com uma performance pífia no PC.
O efeito da distribuição digital
É inegável que a distribuição digital facilitou muito a distribuição de jogos de fora do mainstream. Antigamente, todo jogo precisava ter cópias físicas, divulgação na mídia e em lojas especializadas, gerando um gasto enorme. Atualmente nada disso é mais necessário, já que as plataformas de distribuição e redes sociais facilitam muito todos esses processos.
Facilidade na distribuição e promoção de jogos indie
Plataformas como o Steam Direct, dentro da Steam, permitem desenvolvedores menores subirem seu jogo na Steam por uma taxa mínima, recuperável ao atingir mil dólares em vendas. Dessa forma, além da distribuição, o game também recebe visibilidade e divulgação dentro da própria plataforma.
A divulgação de jogos também é muito facilitada com as redes sociais. Além de ser possível divulgar através de suas próprias redes, organicamente ou com tráfego pago, a collab com influenciadores também torna tudo mais fácil. Inclusive, há diversos canais e perfis especializados em jogos indie, trazendo milhares de visualizações aos desenvolvedores independentes todos os dias.
Todos esses fatores tornam o processo de distribuição e divulgação muito mais fácil e barato, principalmente para desenvolvedores menores e independentes. São elementos que têm sido responsáveis não só pela maior presença dos jogos indies no mercado, mas também por aumentar sua competitividade dentro da indústria.
Efeito em jogos duradouros
A distribuição digital também tem seu efeito positivo em jogos grandes, mesmo que foram lançados há alguns anos. Além de facilitar a aquisição, inclusive por preços mais módicos, a distribuição digital mantém o jogo “vivo” por muito mais tempo do que antigamente. DLCs ou patches podem ser adquiridos em poucos minutos, enquanto correções e atualizações gratuitas são feitas automaticamente.
O que tudo isso nos mostra
Com os preços cada vez mais elevados, tem sido mais interessante recorrer a jogos antigos ou mesmo aos jogos indie, que acabam tendo um preço menor. O mesmo vale para a falta de inovação aliada às atualizações e DLCs, já que acaba sendo muito acessível e interessante para o público ter “mais do mesmo”.
Há também o impacto referente aos problemas de bugs e má otimização. Situações que também empurram os jogadores de volta para os títulos mais antigos, por já estarem devidamente corrigidos e otimizados, sem ter que esperar meses – ou anos – por uma versão 100% funcional.
Entretanto, o ano de 2026 reserva grandes novidades: lançamentos bem interessantes e muito aguardados pelo público gamer. Ainda é cedo para afirmar que os games novos estão realmente perdendo força, mas os problemas atuais e frequentes mostram que mudanças podem ser necessárias.
O post Por que os jogos novos estão perdendo força, e o que os dados mostram apareceu primeiro em Olhar Digital.
De acordo com o Relatório de Jogos para PC e Consoles de 2026, mais da metade da receita dessas plataformas de PC vem de jogos fora do top 20 de games mais jogados. O crescimento foi de 48% para 56% no ano de 2025. Além disso, o tempo de jogo nesses games aumentou em 44% para esses jogos, enquanto o tempo gasto em jogos do top 20 permaneceu praticamente estável ou com uma leve queda.
O top 20 de jogos com mais tempo de jogo em 2025, que já exclui muitos dos grandes lançamentos do ano – Fonte: PC and Console Gaming Report 2026 / Newzoo
Os principais jogos dentro e fora dos PCs
Os games que mais se beneficiaram desse crescimento foram jogos contínuos e duradouros, como Cyberpunk 2077, Elden Ring, Path of Exile 2 e até mesmo o bom e velho Skyrim. Além dos RPGs de Ação, outros jogos bem populares são os de sobrevivência como Rust e DayZ.
Quanto ao Playstation, as franquias esportivas ainda continuam bem populares, mas estão abaixo do top 20. Já os jogadores que voltam aos jogos antigos procuram aqueles exclusivos de prestígio como God of War Ragnarök, Ghost of Tsushima, Spider-Man 2 e The Last of Us Part 2. Em contrapartida, o Xbox consolidou o Game Pass, tendo em alta os jogos disponíveis no seu catálogo, enquanto jogos novos representam menos de 1% do tempo de jogo.
O que está errado com os jogos AAA hoje?
Apesar de estarem cada vez mais impressionantes em todos os aspectos, os jogos AAA novos têm apresentado muitos problemas. São complicações que influenciam muito a percepção do público gamer, sendo provavelmente um dos principais fatores por trás da queda de popularidade do jogo novo atualmente.
Aversão ao risco e falta de inovação
Devido aos altos custos de produção, há uma tendência da indústria em investir de forma segura, o famoso “em time que está ganhando não se mexe”. O que faz com que os estúdios prefiram investir em sequências e mais sequências, remasters, remakes, gêneros e fórmulas já consolidadas para minimizar os riscos.
Entretanto, investir nessas estratégias também traz o famoso “mais do mesmo”. Os jogos serem de mundo aberto tem sido praticamente obrigatório. Os mapas massivos parecem cada vez mais ser um meio de justificar investimentos milionários do que qualidade. A falta de inovação, de trazer algo realmente novo, tem desanimado o público, ainda mais diante do preço cada vez mais elevado dos jogos.
Preço e formas de monetização
O preço dos jogos AAA tem sido uma constante reclamação por parte da comunidade gamer. Mesmo para aqueles de países com moeda mais forte, pagar US$70 em um jogo é considerado um preço muito alto para a maioria deles. Além disso, jogos como Mario Kart World já estão custando $80, enquanto há a possibilidade do GTA 6 sair a €90 em seu lançamento. Isso seria praticamente o terceiro aumento nessa geração de consoles.
Além dos preços mais elevados há também as outras práticas de monetização. O Game as a Service, que transforma o jogo em um serviço constantemente atualizado, obriga a gastar mais em um jogo que já custou muito. Já as microtransações frequentemente substituem as recompensas antes dadas por avançar e explorar o jogo, substituindo algo satisfatório por puro dispêndio de dinheiro.
Lançamentos precipitados e patches de correção
Mesmo com preços mais elevados, a qualidade dos jogos tem deixado muito a desejar nos quesitos de performance e funcionalidade. Jogos novos chegam cada vez menos otimizados, enquanto recursos como DLSS e Frame Generation têm sido mandatórios para rodar os jogos. Eram recursos concebidos para tornar os jogos mais leves, mas que hoje são necessários mesmo em hardwares mais potentes.
Entretanto, bugs e glitches continuam sendo algo frequente no lançamento de um jogo. Mesmo depois de toda repercussão negativa de Cyberpunk 2077, incluindo quedas nas ações da empresa e reembolsos históricos de aproximadamente 850 mil cópias, esse problema ainda persiste. Jogos como Mortal Kombat 1 apresentaram problemas que afetaram principalmente seu competitivo – um carro-chefe da franquia atualmente – e MindsEye, com uma performance pífia no PC.
O efeito da distribuição digital
É inegável que a distribuição digital facilitou muito a distribuição de jogos de fora do mainstream. Antigamente, todo jogo precisava ter cópias físicas, divulgação na mídia e em lojas especializadas, gerando um gasto enorme. Atualmente nada disso é mais necessário, já que as plataformas de distribuição e redes sociais facilitam muito todos esses processos.
Facilidade na distribuição e promoção de jogos indie
Plataformas como o Steam Direct, dentro da Steam, permitem desenvolvedores menores subirem seu jogo na Steam por uma taxa mínima, recuperável ao atingir mil dólares em vendas. Dessa forma, além da distribuição, o game também recebe visibilidade e divulgação dentro da própria plataforma.
A divulgação de jogos também é muito facilitada com as redes sociais. Além de ser possível divulgar através de suas próprias redes, organicamente ou com tráfego pago, a collab com influenciadores também torna tudo mais fácil. Inclusive, há diversos canais e perfis especializados em jogos indie, trazendo milhares de visualizações aos desenvolvedores independentes todos os dias.
Todos esses fatores tornam o processo de distribuição e divulgação muito mais fácil e barato, principalmente para desenvolvedores menores e independentes. São elementos que têm sido responsáveis não só pela maior presença dos jogos indies no mercado, mas também por aumentar sua competitividade dentro da indústria.
Efeito em jogos duradouros
A distribuição digital também tem seu efeito positivo em jogos grandes, mesmo que foram lançados há alguns anos. Além de facilitar a aquisição, inclusive por preços mais módicos, a distribuição digital mantém o jogo “vivo” por muito mais tempo do que antigamente. DLCs ou patches podem ser adquiridos em poucos minutos, enquanto correções e atualizações gratuitas são feitas automaticamente.
O que tudo isso nos mostra
Com os preços cada vez mais elevados, tem sido mais interessante recorrer a jogos antigos ou mesmo aos jogos indie, que acabam tendo um preço menor. O mesmo vale para a falta de inovação aliada às atualizações e DLCs, já que acaba sendo muito acessível e interessante para o público ter “mais do mesmo”.
Há também o impacto referente aos problemas de bugs e má otimização. Situações que também empurram os jogadores de volta para os títulos mais antigos, por já estarem devidamente corrigidos e otimizados, sem ter que esperar meses – ou anos – por uma versão 100% funcional.
Entretanto, o ano de 2026 reserva grandes novidades: lançamentos bem interessantes e muito aguardados pelo público gamer. Ainda é cedo para afirmar que os games novos estão realmente perdendo força, mas os problemas atuais e frequentes mostram que mudanças podem ser necessárias.
O post Por que os jogos novos estão perdendo força, e o que os dados mostram apareceu primeiro em Olhar Digital.
Artigo originalmente publicado em
olhardigital.com.br