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Poucos átomos de espessura: novo material promete revolução quântica

Redação Recifes
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Poucos átomos de espessura: novo material promete revolução quântica
Foto: Steve A Johnson / Pexels

Pesquisadores da Universidade de Southampton e da Universidade Nacional de Singapura anunciaram uma técnica para fabricar heteroestruturas bidimensionais sem o uso dos polímeros normalmente empregados nesse processo. O estudo foi publicado recentemente na revista Nature Communications.

A proposta substitui materiais sintéticos adesivos por cristais naturais de muscovita, um tipo de mica, reduzindo a contaminação microscópica que costuma comprometer a qualidade das estruturas formadas por camadas de poucos átomos de espessura.

O avanço pode ampliar a precisão das pesquisas com materiais quânticos e favorecer o desenvolvimento de componentes eletrônicos mais rápidos e confiáveis, já que a limpeza das superfícies é considerada um fator decisivo para o desempenho desses dispositivos.

Método busca superar um dos principais obstáculos da nanotecnologia

A produção de materiais bidimensionais depende da sobreposição de camadas atômicas extremamente finas. Nos métodos convencionais, essa montagem costuma utilizar polímeros sintéticos, mas esses materiais deixam resíduos microscópicos capazes de alterar o comportamento eletrônico das estruturas.

Para contornar esse problema, a equipe recorreu à muscovita, um mineral conhecido como mica. Segundo os pesquisadores, por se tratar de um cristal inorgânico, o material oferece uma superfície mais uniforme e reduz significativamente a presença de contaminantes durante a montagem das heteroestruturas.

O trabalho também mostrou que essa substituição permite posicionar as camadas atômicas com maior precisão. Esse controle é importante porque determinados materiais bidimensionais passam a apresentar propriedades completamente diferentes quando são empilhados em ângulos específicos.

O principal autor do estudo, Makars Šiškins, professor de Física Experimental da Universidade de Southampton, afirmou que esse nível de precisão é essencial para pesquisas na área de materiais quânticos.

Quando materiais bidimensionais, como grafeno e nitreto de boro hexagonal, são empilhados em estruturas com ângulos controlados entre as camadas, eles passam a exibir propriedades inteiramente novas“, falou em declaração divulgada pela instituição.

Conforme explicou o pesquisador, pequenas quantidades de contaminação podem mascarar os resultados dos experimentos, motivo pelo qual um processo mais limpo amplia as possibilidades de investigação científica. Ele também destacou que a nova abordagem simplifica a fabricação das estruturas e reduz os custos do processo.

Na avaliação de Šiškins, aperfeiçoar técnicas de fabricação livres de contaminação representa um passo importante para a criação de componentes nanoeletrônicos mais eficientes e, futuramente, de microchips com maior velocidade e confiabilidade.

Alexey Berdyugin, professor da Universidade Nacional de Singapura e coautor da pesquisa, ressaltou que produzir empilhamentos atômicos sem impurezas continua sendo um dos maiores desafios da nanotecnologia. “Como a mica é um cristal inorgânico, e não um polímero macio, ela evita muitos dos problemas de contaminação presentes nos métodos convencionais.

Ainda conforme Berdyugin, a técnica proporciona superfícies ultralimpas, permitindo que os componentes eletrônicos operem com desempenho máximo. Na avaliação do pesquisador, essa característica pode abrir caminho para avanços tanto na pesquisa fundamental quanto nas futuras aplicações da tecnologia quântica.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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