Pouco mais de um ano depois de anunciar uma mudança de nome, a Primus Ventures está pronta para começar a investir com seu novo fundo, o Sul Ventures. Os primeiros aportes já foram aprovados em comitês de investimentos e devem ser concluídos em breve, conta o sócio fundador José Augusto Albino, em entrevista ao Startups.
A gestora, que antes se chamava Catarina Capital, adotou o novo nome em abril do ano passado, com o objetivo de consolidar a sua tese regional, voltada para investimentos em startups da Região Sul do Brasil: que engloba os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“Iniciamos oficialmente a operação do fundo em janeiro deste ano. Agora estamos muito próximos de assinar as duas primeiras operações. Ao mesmo tempo, seguimos captando recursos”, afirma José. O objetivo é chegar a R$ 100 milhões, dos quais R$ 60 milhões já foram levantados.
Apesar de agnóstico, o Fundo de Investimentos em Participações (FIP) é focado em startups com soluções B2B e em estágios iniciais, do pré-Seed ao Seed. O objetivo é investir em cerca de 20 startups em quatro anos.
Os cheques variam entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões, podendo chegar a R$ 10 milhões ao longo do relacionamento com o fundo, por meio de follow-ons.
“Nossa experiência, histórico e track record estão concentrados em empresas B2B, então conseguimos agregar muito mais valor aos empreendedores nesse segmento. E somos agnósticos porque o mercado muda muito rápido. Hoje pode ser inteligência artificial; amanhã pode surgir outra grande tendência. Gostamos de ser surpreendidos por empreendedores trazendo oportunidades que ainda nem imaginávamos”, explica José.
A Catarina Capital foi fundada em 2019 pelos sócios Adonay Freitas, José Augusto Albino, Renata Buss e Raul Daitx, que já haviam operado um fundo juntos anteriormente, o Cventures Primus, lançado em 2013 pela Fundação Certi.
O primeiro fundo da Catarina, hoje Primus, no valor de R$ 83 milhões, investiu em nomes como Asaas, Exact Sales, Hiper e Checkplant. Hoje, segundo José Augusto, o retorno está em cerca de 4,8x o capital investido, o que ajudou na captação para o Sul Ventures.
“Herdamos um fundo da estrutura anterior da gestora, que hoje está em fase final de desinvestimento e vem apresentando um desempenho muito bom, com retorno de top quartile. Uma parte importante dos investidores do novo fundo veio justamente desse fundo anterior. Eles ficaram satisfeitos com os resultados e decidiram aumentar a aposta conosco”, conta.
O sócio explica que aproximadamente metade do capital do novo fundo vem de pessoas físicas e family offices da região Sul. A outra metade é formada por investidores institucionais, como Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Badesul e Fomento Paraná, além de outros parceiros.
“Nosso diferencial está na região Sul. Conhecemos muito bem o mercado, conseguimos identificar boas oportunidades e permanecemos próximos dos empreendedores. Também optamos por construir um portfólio relativamente enxuto. No fundo anterior investimos em 15 empresas; neste queremos investir em cerca de 20. Isso nos permite acompanhar os fundadores de perto, principalmente nos estágios pré-Seed e Seed, quando eles mais precisam de apoio. Nosso objetivo não é apenas investir. É investir bem, devolver capital aos nossos LPs e construir novos fundos”, destaca José.
Para o investidor, o cenário atual é de maior maturidade no ecossistema de inovação nacional e regional. Ele destaca o surgimento de second time founders, que já trazem na bagagem uma experiência relevante com a construção de negócios até o exit, além de empreendedores mais disciplinados.
“Hoje é possível contratar executivos que participaram do crescimento de empresas como RD Station ou Pipefy, acompanhando essas startups desde dezenas até centenas de funcionários. Essas pessoas chegam muito mais preparadas”, diz.
Club deals para o late stage
Além do fundo voltado para startups early stage, a Primus Ventures também atua com empresas mais maduras por meio de club deals. Segundo José Augusto Albino, essa é uma das frentes estratégicas da gestora e tem como objetivo conectar startups da região Sul a novos investidores, especialmente em rodadas mais avançadas.
Diferentemente da estratégia de early stage, a gestora não mantém um fundo dedicado para essas operações. Em vez disso, estrutura investimentos caso a caso ao lado de family offices, fundos de fundos e outros parceiros.
Segundo o executivo, esse modelo permite maior flexibilidade para participar de diferentes tipos de operações. Além de acompanhar rodadas lideradas por outros investidores — muitas vezes ao lado de fundos internacionais —, a Primus também atua em rodadas secundárias e em reorganizações de cap table. “Quando a gente monta um club deal, tem flexibilidade de tese, de uso da grana e de tamanho de cheque. Isso permite fazer alguns deals diferentes daqueles que um fundo tradicional consegue fazer”, afirma.
Embora não divulgue detalhes das operações nem o número exato de investimentos realizados, José afirma que essa frente já representa uma parte relevante da atuação da gestora.
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