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Processo da Apple diz que OpenAI orientou funcionários a burlar segurança da empresa

Redação Recifes
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Processo da Apple diz que OpenAI orientou funcionários a burlar segurança da empresa
Foto: DS stories / Pexels

Na última sexta-feira (10), a Apple entrou com um processo de 41 páginas contra a OpenAI, acusando a empresa de conduzir um esquema coordenado para obter segredos industriais da fabricante do iPhone por meio da contratação de funcionários e ex-funcionários da companhia.

Segundo a ação, a OpenAI teria incentivado candidatos a levar componentes de produtos ainda não lançados para entrevistas de emprego, orientado empregados a contornar procedimentos internos de segurança da Apple e utilizado informações confidenciais para desenvolver seus próprios dispositivos de inteligência artificial (IA).

A ação gira principalmente em torno de três pessoas: Tang Tan, ex-vice-presidente do Apple Watch e funcionário da Apple durante 24 anos; Chang Liu, ex-engenheiro de sistemas elétricos do iPhone; e Yu-Ting “Alyssa” Peng, também ex-funcionária da empresa. Os dois últimos deixaram a Apple para trabalhar na OpenAI em 2026.

Segundo a Apple, eles fizeram parte de um esquema contínuo para obter informações confidenciais enquanto a OpenAI prepara seu primeiro dispositivo de hardware baseado em IA, previsto para ser lançado no próximo ano.

Apple diz que OpenAI agiu de forma coordenada

  • Ao longo da ação, a Apple procura demonstrar que o suposto comportamento não foi obra de funcionários isolados, mas fazia parte da cultura da empresa;
  • Em um dos trechos do processo, a fabricante afirma que a conduta teria sido “normalizada e exemplificada pela liderança” da OpenAI;
  • A Apple também faz duras críticas ao projeto de hardware da empresa de IA:
  • “O negócio nascente de hardware da OpenAI agora repousa sobre bases extremamente frágeis, podres em seu núcleo devido à sua dependência ilegal de segredos comerciais obtidos de forma indevida”, afirma o documento;
  • Segundo a companhia, as evidências apresentadas representam apenas parte do que poderá surgir durante a fase de produção de provas do processo;
  • “A descoberta dos fatos revelará que a apropriação indevida vem ocorrendo em uma escala muitas vezes maior do que as várias instâncias descritas abaixo.”

Ex-funcionário teria mantido computador da Apple

Uma das principais acusações envolve Chang Liu, que trabalhou por mais de oito anos como engenheiro de sistemas elétricos no desenvolvimento do iPhone.

De acordo com a Apple, após anunciar sua saída da empresa, Liu deixou de responder aos pedidos para assinar um lembrete sobre confidencialidade, participar da entrevista de desligamento e confirmar a devolução dos equipamentos corporativos.

A empresa afirma que ele não devolveu pelo menos um computador pertencente à Apple e chegou a informar Peng por mensagem que ainda possuía “outro computador”.

Segundo o processo, semanas depois de deixar a companhia, Liu teria explorado uma vulnerabilidade de autenticação para acessar novamente o sistema interno de armazenamento em nuvem da Apple.

Em uma das mensagens reproduzidas pela empresa, Liu escreveu: “LOL, descobri que consigo acessar o [armazenamento de rede], muito engraçado.” Segundo a Apple, Peng respondeu imediatamente: “Estou pronta.”

A fabricante afirma que Liu utilizou esse acesso para baixar dezenas de arquivos confidenciais, incluindo especificações técnicas, documentos sobre produtos ainda não anunciados e apresentações de engenharia. Entre eles estaria uma apresentação detalhando processos de fabricação e testes das placas lógicas principais da empresa.

Peng teria abastecido Liu com informações confidenciais

A Apple afirma que, mesmo após Liu deixar a empresa, Peng continuou compartilhando detalhes sobre projetos internos, engenharia e relacionamento com fornecedores. Segundo a ação, os dois discutiam em profundidade projetos confidenciais enquanto Liu já trabalhava no desenvolvimento do hardware da OpenAI.

“Seu trabalho para a OpenAI foi alimentado por um fluxo constante de informações protegidas por segredo comercial fornecidas por Peng”, afirma a Apple.

A empresa também acusa Liu de orientar Peng sobre como acessar e copiar arquivos dos computadores da Apple “para evitar problemas com a equipe de segurança”, indicando inclusive pastas específicas contendo dados proprietários de engenharia. Peng deixou a Apple e ingressou na OpenAI em abril de 2026.

Entrevistas de emprego teriam buscado informações sigilosas

Outra acusação envolve Tang Tan, hoje diretor de hardware da OpenAI e ex-executivo da Apple. Segundo a fabricante do iPhone, Tan utilizava entrevistas de emprego para extrair informações sobre projetos confidenciais da empresa.

A Apple afirma que Liu contou a Peng que outro ex-funcionário “se atrapalhou” ao responder perguntas feitas por Tan sobre “um projeto ultrassecreto para um novo produto ainda não lançado da Apple”. Após essa conversa, Liu teria baixado “algumas informações” utilizando seu acesso aos sistemas da Apple para ajudar Peng a se preparar para sua entrevista.

Em outro episódio citado na ação, um ex-funcionário teria começado a capturar telas e baixar arquivos relacionados a um projeto altamente confidencial antes de uma entrevista com a OpenAI. Durante a conversa, Tan teria pedido mais informações sobre esse mesmo projeto.

O processo lembra ainda que, no ano passado, Tan admitiu ter recebido informações confidenciais sobre uma startup de hardware voltada para IA antes de ingressar na empresa io, fundada por Jony Ive e posteriormente adquirida pela OpenAI.

Apple diz que candidatos eram orientados a levar peças da empresa

Uma das alegações mais incomuns do processo afirma que Tang Tan orientava candidatos vindos da Apple a comparecer às entrevistas levando componentes físicos e amostras de produtos para sessões de demonstração.

Segundo mensagens encontradas em um dispositivo corporativo da Apple, Tan teria instruído uma funcionária a levar peças nas quais trabalhou, incluindo baterias, módulos System-in-Package (SiP), placas lógicas principais e blindagens metálicas, afirmando que seria “bom mostrar” esses componentes aos entrevistadores.

O processo também afirma que candidatos eram instruídos a levar “artefatos CAD/de design”, protótipos e preparar apresentações chamadas “Technical Deep Dive”, contendo slides com informações confidenciais sobre projetos desenvolvidos na Apple.

Em um dos casos citados, um candidato teria demonstrado surpresa com o pedido, afirmando que “nem sabia que podíamos tirar essas peças do escritório”.

OpenAI teria ensinado funcionários a driblar protocolos de segurança

Segundo a Apple, a OpenAI também orientava funcionários que estavam deixando a empresa sobre como evitar procedimentos internos de segurança.

A fabricante afirma que Tang possuía um documento interno descrevendo o processo de desligamento de funcionários e que esse material teria sido utilizado para alertar novos contratados sobre as verificações realizadas pela Apple.

O processo afirma que a OpenAI orientava funcionários a não revelar qual seria seu novo empregador e ensinava formas de evitar o chamado “dreaded walkout” (“temida retirada”), procedimento pelo qual empregados são retirados imediatamente da empresa após comunicarem sua saída, perdendo acesso aos sistemas em vez de permanecerem trabalhando durante o período tradicional de duas semanas.

Segundo a Apple, a OpenAI também instruía candidatos a não assinarem qualquer documento durante a entrevista de desligamento. Caso fossem solicitados a assinar algo, deveriam avisar a OpenAI “o mais rápido possível”.

A empresa afirma que essas estratégias “parecem estar produzindo o efeito desejado”, apontando um aumento recente de funcionários que deixam a Apple para trabalhar na OpenAI ignorando contatos da equipe de segurança para agendar entrevistas de desligamento e revisões de segurança.

Técnica de acabamento metálico também teria sido alvo

Além da obtenção de informações de funcionários, a Apple acusa a OpenAI de utilizar seus segredos industriais junto a parceiros comerciais. Segundo a ação, a empresa de IA procurou um fornecedor de confiança da Apple que realiza uma técnica proprietária de acabamento metálico composta por várias etapas.

A Apple afirma que a OpenAI induziu o parceiro a acreditar que possuía autorização para utilizar esse processo. “Apple não concedeu à OpenAI ou à io permissão nem licença para utilizar qualquer um de seus segredos comerciais ou informações confidenciais”, afirma a ação.

A fabricante também acusa a OpenAI de abordar pelo menos outro fornecedor ligado à produção de componentes de energia e baterias, utilizando informações confidenciais e até codinomes internos da Apple para fazer perguntas específicas sobre peças e processos de fabricação.

Segundo a empresa, foram usadas “terminologias internas” e questionamentos direcionados que “apenas pessoas de dentro da Apple saberiam fazer”.

Mais de 400 ex-funcionários da Maçã trabalham na OpenAI

Outro dado citado no processo é que mais de 400 ex-funcionários da Apple atualmente trabalham na OpenAI.

Segundo a Apple, não é surpreendente que muitos deles possuam conhecimento de informações proprietárias que devem permanecer confidenciais. O problema, de acordo com a empresa, é que a OpenAI teria recorrido à exploração deliberada desse conhecimento.

A ação também afirma que a Apple procurou resolver a situação antes de recorrer aos tribunais. Segundo o processo, a companhia entrou em contato com a OpenAI em fevereiro para apresentar suas preocupações, mas afirma que não recebeu resposta.

OpenAI nega interesse em segredos comerciais

Até o momento, a OpenAI comentou o caso apenas por meio de uma declaração divulgada na sexta por seu porta-voz, Drew Pusateri. “Não temos interesse nos segredos comerciais de outras empresas. Continuamos focados em desenvolver tecnologia inovadora que capacite pessoas em todos os lugares”, afirmou.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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