Comprar uma máquina de lavar nova está longe de ser uma tarefa simples, especialmente quando é preciso escolher entre uma lavadora com tampa frontal (front load) e outra com tampa superior (top load). Entre os diversos fatores que pesam nessa decisão, o consumo de água e energia costuma ser um dos mais importantes na hora de adquirir o eletrodoméstico ideal.
Isso porque a questão vai muito além da localização da tampa da máquina. O design e o funcionamento dos dois modelos interferem diretamente no consumo desses recursos essenciais e até mesmo no desgaste das roupas.
Para te ajudar na escolha da lavadora, o Canaltech analisou dados oficiais do Inmetro sobre os cinco eletrodomésticos mais vendidos de cada categoria para descobrir qual tecnologia entrega maior eficiência no consumo de energia e água.
O segredo está no movimento do cesto
A diferença real no gasto dos modelos de máquina de lavar começa pelo entendimento de como funciona a mecânica de lavagem de cada um. As máquinas de tampa superior realizam a limpeza das roupas por meio de processos de agitação ou turbilhonamento.
Isso significa que essas lavadoras precisam utilizar um volume maior de água para que as peças possam ser agitadas. O batedor localizado no centro ou a hélice no fundo movimenta continuamente as roupas, gerando o atrito necessário para remover a sujeira.
Acontece que esse método é um pouco mais agressivo aos tecidos, o que pode acelerar o desgaste de peças mais delicadas.
Já os modelos com tampa frontal utilizam o sistema de lavagem por tombamento. Nesse sistema, o batedor central é dispensado, e o tambor gira em torno de um eixo horizontal, aproveitando a força da gravidade para elevar as roupas e deixá-las cair durante a lavagem.
Esse processo é mais suave, pois gera menos atrito entre as peças, tornando-se menos agressivo aos tecidos. Além disso, como não há necessidade de encher o tambor com um grande volume de água, o consumo é naturalmente menor.
Qual modelo gasta mais energia?
As máquinas de lavar com tampa frontal tendem a ser maiores do que aquelas com tampa superior, o que pode levar alguns consumidores a acreditar que o consumo de energia desses equipamentos também é muito maior.
Essa percepção também acontece porque grande parte das lavadoras front load vendidas no Brasil são modelos lava e seca, e a função de secagem por calor realmente eleva o consumo de energia.
Mas o cenário muda quando colocamos no papel apenas o ciclo de lavagem convencional com água fria. Isso porque o sistema de lavagem por tombamento proporciona maior eficiência, além de muitos desses aparelhos contarem com tecnologia Inverter.
Esse recurso ajusta automaticamente a potência de funcionamento de acordo com a necessidade de cada ciclo de lavagem, contribuindo para reduzir o consumo de energia.
Para facilitar a visualização desse comparativo, reunimos dados de consumo elétrico (medidos em kWh por ciclo de lavagem) dos cinco modelos mais vendidos de cada categoria. Essas informações foram coletadas da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) do Inmetro de cada eletrodoméstico.
Como os dados oficiais demonstram, todas as lavadoras com tampa frontal mantêm médias de consumo inferiores em relação às de tampa superior. Elas operam sempre abaixo da marca de 0,31 kWh por ciclo e superam as máquinas tradicionais em eficiência energética.
Se compararmos os modelos de 13 kg da Midea e da Electrolux, a diferença é de 0,12 kWh por lavagem. Em uma residência que realiza três ciclos de lavagem por semana, isso pode representar uma economia aproximada de 1,6 kWh por mês que, apesar de modesta, se acumula ao longo do tempo e soma-se à economia de água proporcionada pelo sistema de lavagem por tombamento.
A principal diferença está no consumo de água
A eficiência energética já coloca os eletrodomésticos que utilizam a lavagem por tombamento um pouco à frente, mas é o consumo de água que amplia realmente essa vantagem. Isso porque esse sistema utiliza menos água durante a lavagem, resultando em uma economia significativa em relação aos modelos com tampa superior.
Separamos o volume total de água consumido por ciclo de lavagem nos mesmos dez modelos mais vendidos para deixar essa comparação ainda mais clara.
O contraste fica evidente quando colocamos frente a frente modelos com capacidades semelhantes. Por exemplo, enquanto a máquina de tampa frontal da Midea de 13 kg consome cerca de 90 litros de água, a lavadora da Electrolux de 13 kg com tampa superior (LED13) alcança 150 litros por ciclo.
E essa diferença de 60 litros por lavagem tem um grande impacto a longo prazo. Em uma residência que realiza três ciclos de lavagem por semana, a economia pode chegar a cerca de 780 litros de água por mês, o equivalente a mais de 9,3 mil litros ao longo de um ano.
Tampa frontal ou superior: qual modelo vale o investimento?
Ainda que os dados apresentados apontem que as máquinas de lavar com tampa frontal oferecem maior economia no consumo de energia e água, a decisão sobre qual modelo escolher depende principalmente do planejamento financeiro e das necessidades da rotina de cada consumidor.
Se o orçamento para adquirir uma nova lavadora estiver mais apertado, os modelos com tampa superior cumprem bem o papel por apresentarem um valor de aquisição mais acessível.
Mas, se a prioridade for reduzir os gastos ao longo do tempo e houver uma margem maior no orçamento, vale a pena investir em uma máquina com tampa frontal. Ainda que exijam um investimento inicial maior, esses modelos podem compensar essa diferença com a economia de água e energia, além de reduzirem o desgaste das roupas.
Outra dúvida que costuma surgir entre os consumidores é sobre qual modelo gasta mais: uma lavadora tradicional ou uma lava e seca. O Canaltech também reuniu as informações necessárias para ajudar nessa decisão.
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