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Quando a amizade muda a história: a contribuição de Santos Dumont para a criação de um ícone da Cartier que resiste até hoje

Redação Recifes
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Quando a amizade muda a história: a contribuição de Santos Dumont para a criação de um ícone da Cartier que resiste até hoje
Foto: Tanhauser Vázquez R. / Pexels

No início do século XX, uma amizade entre dois inventores renomados marcou a história da tecnologia e da moda. De um lado estava Alberto Santos-Dumont, brasileiro pioneiro da aviação. Do outro, Louis Cartier, herdeiro da joalheria francesa que começava a transformar a relojoaria em uma combinação de engenharia, design e luxo.

A parceria entre eles deu origem a um dos maiores ícones da história da relojoaria: o Cartier Santos, considerado um dos primeiros relógios de pulso modernos criados especificamente para homens e um dos modelos que ajudaram a popularizar esse formato em todo o mundo.

O problema que surgiu nos voos

No começo dos anos 1900, praticamente todos os homens usavam relógios de bolso. Para um aviador, no entanto, isso era um problema.

Durante os voos, Santos-Dumont precisava manter as duas mãos nos comandos da aeronave. Sempre que precisava verificar as horas, era obrigado a procurar o relógio no bolso do colete, abrir a tampa e desviar os olhos da rota.

Foi então que o brasileiro comentou a dificuldade com Louis Cartier.

O relojoeiro enxergou imediatamente uma oportunidade: criar um relógio que pudesse permanecer preso ao pulso, permitindo ao piloto consultar as horas com um simples movimento de olhos, sem tirar as mãos dos comandos.

Nasce o Cartier Santos

Em 1904, Cartier entregou ao amigo um relógio completamente diferente do que existia na época.

Em vez do tradicional formato redondo dos relógios de bolso, o modelo tinha forma quadrada, mostrador de leitura rápida, pulseira de couro e uma construção robusta, pensada para resistir ao uso constante.

Os parafusos aparentes na moldura do relógio rompiam com os padrões estéticos da relojoaria do período. Em vez de esconder os elementos estruturais, Cartier decidiu transformá-los em parte do design, em sintonia com a arquitetura metálica e o espírito industrial da Belle Époque.

O relógio original acabou se perdendo ao longo da história, mas seu design se tornou base para um dos modelos mais famosos da relojoaria mundial.

Quando o relógio de pulso virou tendência

No início do século XX, os relógios de pulso eram vistos principalmente como acessórios femininos, enquanto homens utilizavam quase exclusivamente modelos presos ao bolso do paletó.

Santos-Dumont ajudou a mudar essa percepção.

Como uma das personalidades mais fotografadas da Europa, o aviador passou a aparecer constantemente usando o relógio criado por Cartier.

A novidade despertou curiosidade entre a alta sociedade parisiense e o interesse foi tão grande que Cartier decidiu transformar aquela peça exclusiva em um produto comercial.

Em 1911, nasceu oficialmente o Cartier Santos, um dos primeiros relógios de pulso modernos produzidos em série para o público masculino. Os primeiros exemplares utilizavam movimentos desenvolvidos por Edmond Jaeger, parceiro oficial da maison francesa.

Anos depois, a Primeira Guerra Mundial consolidaria definitivamente o relógio de pulso entre os homens, graças à praticidade oferecida aos militares durante as operações em campo.

A nova geração do Cartier Santos

Atualmente o Cartier Santos segue se reinventando sem abandonar a identidade que o tornou um dos relógios mais reconhecidos do mundo.

A atualização mais recente da coleção chegou em 2026 com uma nova geração do Santos de Cartier Chronograph, que preserva elementos clássicos, mas adapta o modelo às preferências do público contemporâneo.

A principal mudança está nas proporções. A Cartier abandonou o antigo modelo XL, considerado grande para os padrões atuais, e adotou um novo tamanho LM (Large Model).

O relógio ficou menor, mais fino e mais confortável para o uso diário, acompanhando uma tendência da relojoaria de privilegiar peças mais versáteis e ergonômicas.

A praticidade, que motivou a criação do primeiro Santos há mais de 120 anos, continua presente.

Os modelos preservam os sistemas QuickSwitch, que permite trocar a pulseira sem ferramentas, e SmartLink, que possibilita ajustar o tamanho do bracelete metálico sem a necessidade de um relojoeiro.

A nova geração do Santos de Cartier Chronograph chega às boutiques da marca como parte da coleção permanente.

Os preços começam em 12 mil euros (cerca de R$ 77 mil, na cotação atual) para a versão em aço inoxidável. O modelo em aço e ouro amarelo parte de 15 mil euros (aproximadamente R$ 96 mil), enquanto a versão mais sofisticada, produzida inteiramente em ouro 18 quilates, custa 60 mil euros, o equivalente a cerca de R$ 385 mil antes da incidência de impostos e taxas de importação no Brasil.

*Com supervisão de Ricardo Gozzi

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Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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