Quando o drone vira ameaça: o que são e como funcionam os antidrones
Se você lembra dos drones como equipamentos usados para fotografia aérea, mapeamento ou entretenimento, essa definição pode ter ficado para trás. Nos últimos anos, eles passaram a ocupar um papel central em conflitos militares e até operações criminosas.
A consequência disso? Cresce também a busca por tecnologias capazes de detectar, rastrear e até neutralizar esses dispositivos – os chamados antidrones.
Para se ter uma ideia da importância desses sistemas: em fevereiro deste ano, a presença de drones nas proximidades do Aeroporto Internacional de Guarulhos levou à suspensão temporária e o cancelamento de pousos e decolagens. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o aeroporto ficou fechado por três horas, com 40 voos impactados.
Em outro episódio, em junho do ano passado, criminosos utilizaram drones durante uma tentativa de infiltração de drogas na área restrita do Aeroporto de Guarulhos. De acordo com a Agência Brasil na época, 21 voos foram direcionados para outros aeroportos e a unidade guarulhense teve interrupções no tráfego aéreo durante duas horas.
Especialistas consultados pelo Olhar Digital explicaram o que são as tecnologias antidrone, onde elas são aplicadas e por que elas vêm ganhando espaço globalmente e no Brasil.
O que são as tecnologias antidrone?
Tecnologias anti-drone são sistemas desenvolvidos para impedir que aeronaves não tripuladas operem em áreas onde representam riscos ou não possuem autorização para voar.
De acordo com Emerson Granemann, fundador e CEO da MundoGEO (hub de conteúdo e eventos sobre drones), a necessidade surgiu à medida que os equipamentos começaram a ser usados em locais sensíveis. Além dos aeroportos, ele cita áreas de presídio, usinas de energia, instalações estratégicas e grandes eventos públicos como locais que podem demandar esse tipo de proteção.
O funcionamento, segundo ele, varia conforme a tecnologia empregada. Existem sistemas capazes apenas de detectar os dispositivos, enquanto outros conseguem interferir na operação da aeronave.
Entre as soluções disponíveis no mercado atualmente estão equipamentos portáteis semelhantes a fuzis, que emitem sinais para interromper a comunicação entre o drone e seu operador, e sistemas fixos que criam áreas protegidas, impedindo a entrada de aeronaves não autorizadas.
Você tem, por exemplo, um equipamento que aponta para o drone como se fosse um fuzil. Em vez de sair um objeto dali, como um tiro, ele emite um raio. Esse raio faz com que o drone perca a força e caia.
Emerson Granemann, fundador e CEO da MundoGEO
Já de acordo com Henrique Cordeiro Florido, Diretor de Inovação do Indra Group no Brasil (multinacional que desenvolve soluções de tecnologia e defesa), as aplicações dos sistemas antidrone variam de acordo com a necessidade.
O mercado mais maduro é o de infraestrutura crítica, aeroportos, usinas, portos e estruturas militares. Nesses ambientes, um drone não precisa ser armado para causar dano, basta entrar na zona errada para paralisar a operação.
Henrique Cordeiro Florido, Diretor de Inovação do Indra Group no Brasil
Para ele, outro setor de destaque são os grandes eventos, como Copa do Mundo, Olimpíadas e cúpulas diplomáticas. Segundo Florido, nesses casos, há um desafio adicional: “não é só detectar, é também discriminar o drone da cobertura jornalística e o drone com intenção adversa que voam no mesmo espaço”.
Uso de drones no crime organizado e em guerras impulsionou tecnologias antidrone – Imagem: Bumble Dee/Shutterstock
A guerra que acelerou uma indústria bilionária
Embora aplicações civis já existissem antes, foi a guerra na Ucrânia que transformou de vez o setor.
Uma reportagem do The New York Times mostrou que os drones se tornaram uma das principais armas do conflito contra a Rússia. Kiev passou a utilizar aeronaves não tripuladas em larga escala para atingir veículos, sistemas de defesa, refinarias e linhas de abastecimento russas a centenas de quilômetros da linha de frente.
O resultado foi uma corrida tecnológica sem precedentes. À medida que os drones ficaram mais sofisticados, surgiram também sistemas cada vez mais avançados para detectá-los e neutralizá-los.
Para Rogério Tristão, diretor comercial da Geocontrol (empresa brasileira de inovações tecnológicas para segurança pública), a guerra entre Rússia e Ucrânia representa um divisor de águas para o segmento. “O soldado, o tanque… isso está sendo substituído pelo avanço de drones para evitar conflitos diretos”, declarou.
Segundo ele, a evolução foi tão rápida que já existe uma nova corrida tecnológica dentro do próprio setor, com a substituição de drones de radiofrequência por aqueles de fibra ótica, que dificultam a detecção.
Esse cenário ajuda a explicar o crescimento acelerado do mercado. Segundo a agência Reuters, o mercado global de sistemas antidrone é estimado atualmente entre US$ 3 bilhões e US$ 7 bilhões. A consultoria MarketsandMarkets projeta que esse valor pode chegar a US$ 14,5 bilhões até 2030.
A demanda já não vem apenas do setor militar. Aeroportos, portos, data centers, refinarias e operadores de infraestrutura crítica passaram a buscar soluções para lidar com possíveis ameaças aéreas.
Para Florido, o crescimento dos antidrones vem da combinação de três fatores.
Prejuízos: um drone ‘baratinho’ voando em uma área de aeroporto pode causar prejuízos bilionários. “Quando o custo do ataque émínimo e o custo da resposta é enorme, o mercado de defesa reage, e cresce rápido”;
Guerra na Ucrânia: a própria lógica da guerra ucraniana mostrou que os drones são armas com aplicações reais. Logo, os antidrones também;
Uso civil: o crescimento no tráfego de drones civis, como dispositivos de cobertura e entrega, exige tecnologias capazes de diferenciá-los.
Brasil ainda não tem regulamentação específica para sistemas antidrone – Imagem: Cristian Martin / iStock
Para além do campo de batalha
Não é só no campo de batalha: o avanço da tecnologia também chamou a atenção de organizações criminosas.
Tristão explicou que, se antes o monitoramento de operações policiais dependia dos chamados “fogueteiros” (uma espécie de vigia que usa fogos de artifício para alertar comparsas sobre a movimentação da polícia), hoje os drones assumem esse papel. Isso também vale para conflitos entre facções rivais.
Granemann deu um exemplo da tecnologia na prática:
Vamos imaginar uma comunidade onde o crime domina. Quando o policiamento resolver intervir nessa situação, como planejar uma busca por pessoas suspeitas, ele poderá utilizar um drone para fazer o mapeamento rápido da situação. Como resposta, o crime organizado poderá acionar um antidrone.
Emerson Zanon Granemann, fundador e CEO da MundoGEO
Nesse contexto, sistemas antidrone passaram a ser vistos não só como ferramentas de proteção, mas também como instrumentos de inteligência. Segundo o executivo da Geocontrol, os equipamentos conseguem identificar não apenas a localização do drone, mas também do operador – o que ajuda a identificar os responsáveis pela ação.
O mesmo conceito pode ser aplicado em presídios. “O policial que fica na torre vai saber de onde está chegando o drone. E a inteligência do presídio vai poder saber onde está o piloto”, afirmou.
A preocupação não é apenas no papel:
Em julho do ano passado, policiais militares do Rio de Janeiro apreenderam um interceptador de drones importado durante uma operação na comunidade de Acari;
Segundo as autoridades, o equipamento era capaz de interferir na navegação de drones em um raio de aproximadamente sete quilômetros.
Foi a primeira vez que um dispositivo desse tipo foi apreendido no estado.
O executivo defende que não se trata apenas de um trabalho combativo, mas também de inteligência por parte das autoridades de segurança pública:
O detector não pode ser pensado como uma ferramenta que vai detectar um drone e vai ter uma ação imediata de anular aquele drone. Algumas vezes, pode acontecer. Mas a maioria das vezes trata-se de um trabalho de inteligência.
Rogério Tristão, diretor comercial da Geocontrol
Às vésperas da COP 30, em 2025, agentes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República apresentaram o DroneGun Tatical, que tem a capacidade de interferir no canal de controle de drones com a emissão de sinais de alta potência – Imagem: Gabinete de Segurança Institucional
O desafio da regulamentação
Apesar do crescimento do setor, especialistas apontam que a legislação ainda não acompanhou totalmente a evolução dessas tecnologias.
No Brasil, a operação de drones é regulamentada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Entretanto, não existe atualmente uma regulamentação específica para a comercialização e utilização de tecnologias antidrone.
A preocupação envolve principalmente o risco desses sistemas caírem nas mãos de organizações criminosas. “Essa tecnologia pode ser usada pela administração dos aeroportos, das penitenciárias e de áreas críticas. Mas ela pode ser comprada pelo crime organizado. E aí o caminho é inverso”, alertou o fundador do MundoGEO.
Tristão compartilha da mesma avaliação. Segundo ele, a ausência de regras específicas facilita o acesso de criminosos a equipamentos capazes de monitorar ou neutralizar drones utilizados pelas forças de segurança pública.
O problema no Brasil é que o estado tem um trabalho burocrático. Tem licitação, edital… é uma compra complicada. Enquanto isso o crime organizado compra um detector de drone pela Shopee, pelo AliExpress. (…) A tecnologia avançou, mas existe uma corrida – e os estados estão começando a fazer esse investimento agora.
Rogério Tristão, diretor comercial da Geocontrol
Henrique Cordeiro Florido traz uma perspectiva diferente: por se tratar de um país de proporções continentais, a falta de orientação a nível estrutural pode fazer com que cada órgão compre um sistema antidrone diferente. O resultado é a fragmentação de tecnologias, que ficam isoladas umas das outras.
Interface de localização de drones da Geocontrol – Imagem: Geocontrol
Inteligência artificial e o futuro da proteção aérea
A inteligência artificial também começa a aparecer nesse mercado, embora especialistas avaliem que seu impacto imediato esteja mais relacionado à automação e velocidade de resposta do que à criação de novas capacidades.
“A inteligência artificial está presente em tudo. Com certeza, a identificação e os meios para tirar um drone de operação vão se tornar mais rápidos”, afirma Granemann.
O potencial maior pode surgir em cenários envolvendo enxames de drones, uma das tendências observadas em conflitos militares recentes:
Em vez de lidar com uma única aeronave, os sistemas passam a enfrentar dezenas ou até centenas de drones operando simultaneamente;
Nesses casos, a IA pode ser decisiva para identificar padrões, priorizar ameaças e coordenar respostas em tempo real;
Enquanto isso, a disputa entre drones e antidrones segue em constante evolução. À medida que as aeronaves ganham autonomia, alcance e novas formas de comunicação, os sistemas de defesa precisam acompanhar esse ritmo.
Como resumiu Tristão, a corrida tecnológica já começou – e não dá sinais de desaceleração.
O que explica esse crescimento [do mercado de tecnologias antidrone] é a necessidade das forças de segurança evoluírem. Mas falta trabalhar a regulamentação dos equipamentos, porque hoje, no Brasil, isso está sem controle.
Rogério Tristão, diretor comercial da Geocontrol
O post Quando o drone vira ameaça: o que são e como funcionam os antidrones apareceu primeiro em Olhar Digital.
A consequência disso? Cresce também a busca por tecnologias capazes de detectar, rastrear e até neutralizar esses dispositivos – os chamados antidrones.
Para se ter uma ideia da importância desses sistemas: em fevereiro deste ano, a presença de drones nas proximidades do Aeroporto Internacional de Guarulhos levou à suspensão temporária e o cancelamento de pousos e decolagens. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o aeroporto ficou fechado por três horas, com 40 voos impactados.
Em outro episódio, em junho do ano passado, criminosos utilizaram drones durante uma tentativa de infiltração de drogas na área restrita do Aeroporto de Guarulhos. De acordo com a Agência Brasil na época, 21 voos foram direcionados para outros aeroportos e a unidade guarulhense teve interrupções no tráfego aéreo durante duas horas.
Especialistas consultados pelo Olhar Digital explicaram o que são as tecnologias antidrone, onde elas são aplicadas e por que elas vêm ganhando espaço globalmente e no Brasil.
O que são as tecnologias antidrone?
Tecnologias anti-drone são sistemas desenvolvidos para impedir que aeronaves não tripuladas operem em áreas onde representam riscos ou não possuem autorização para voar.
De acordo com Emerson Granemann, fundador e CEO da MundoGEO (hub de conteúdo e eventos sobre drones), a necessidade surgiu à medida que os equipamentos começaram a ser usados em locais sensíveis. Além dos aeroportos, ele cita áreas de presídio, usinas de energia, instalações estratégicas e grandes eventos públicos como locais que podem demandar esse tipo de proteção.
O funcionamento, segundo ele, varia conforme a tecnologia empregada. Existem sistemas capazes apenas de detectar os dispositivos, enquanto outros conseguem interferir na operação da aeronave.
Entre as soluções disponíveis no mercado atualmente estão equipamentos portáteis semelhantes a fuzis, que emitem sinais para interromper a comunicação entre o drone e seu operador, e sistemas fixos que criam áreas protegidas, impedindo a entrada de aeronaves não autorizadas.
Você tem, por exemplo, um equipamento que aponta para o drone como se fosse um fuzil. Em vez de sair um objeto dali, como um tiro, ele emite um raio. Esse raio faz com que o drone perca a força e caia.
Emerson Granemann, fundador e CEO da MundoGEO
Já de acordo com Henrique Cordeiro Florido, Diretor de Inovação do Indra Group no Brasil (multinacional que desenvolve soluções de tecnologia e defesa), as aplicações dos sistemas antidrone variam de acordo com a necessidade.
O mercado mais maduro é o de infraestrutura crítica, aeroportos, usinas, portos e estruturas militares. Nesses ambientes, um drone não precisa ser armado para causar dano, basta entrar na zona errada para paralisar a operação.
Henrique Cordeiro Florido, Diretor de Inovação do Indra Group no Brasil
Para ele, outro setor de destaque são os grandes eventos, como Copa do Mundo, Olimpíadas e cúpulas diplomáticas. Segundo Florido, nesses casos, há um desafio adicional: “não é só detectar, é também discriminar o drone da cobertura jornalística e o drone com intenção adversa que voam no mesmo espaço”.
Uso de drones no crime organizado e em guerras impulsionou tecnologias antidrone – Imagem: Bumble Dee/Shutterstock
A guerra que acelerou uma indústria bilionária
Embora aplicações civis já existissem antes, foi a guerra na Ucrânia que transformou de vez o setor.
Uma reportagem do The New York Times mostrou que os drones se tornaram uma das principais armas do conflito contra a Rússia. Kiev passou a utilizar aeronaves não tripuladas em larga escala para atingir veículos, sistemas de defesa, refinarias e linhas de abastecimento russas a centenas de quilômetros da linha de frente.
O resultado foi uma corrida tecnológica sem precedentes. À medida que os drones ficaram mais sofisticados, surgiram também sistemas cada vez mais avançados para detectá-los e neutralizá-los.
Para Rogério Tristão, diretor comercial da Geocontrol (empresa brasileira de inovações tecnológicas para segurança pública), a guerra entre Rússia e Ucrânia representa um divisor de águas para o segmento. “O soldado, o tanque… isso está sendo substituído pelo avanço de drones para evitar conflitos diretos”, declarou.
Segundo ele, a evolução foi tão rápida que já existe uma nova corrida tecnológica dentro do próprio setor, com a substituição de drones de radiofrequência por aqueles de fibra ótica, que dificultam a detecção.
Esse cenário ajuda a explicar o crescimento acelerado do mercado. Segundo a agência Reuters, o mercado global de sistemas antidrone é estimado atualmente entre US$ 3 bilhões e US$ 7 bilhões. A consultoria MarketsandMarkets projeta que esse valor pode chegar a US$ 14,5 bilhões até 2030.
A demanda já não vem apenas do setor militar. Aeroportos, portos, data centers, refinarias e operadores de infraestrutura crítica passaram a buscar soluções para lidar com possíveis ameaças aéreas.
Para Florido, o crescimento dos antidrones vem da combinação de três fatores.
Prejuízos: um drone ‘baratinho’ voando em uma área de aeroporto pode causar prejuízos bilionários. “Quando o custo do ataque émínimo e o custo da resposta é enorme, o mercado de defesa reage, e cresce rápido”;
Guerra na Ucrânia: a própria lógica da guerra ucraniana mostrou que os drones são armas com aplicações reais. Logo, os antidrones também;
Uso civil: o crescimento no tráfego de drones civis, como dispositivos de cobertura e entrega, exige tecnologias capazes de diferenciá-los.
Brasil ainda não tem regulamentação específica para sistemas antidrone – Imagem: Cristian Martin / iStock
Para além do campo de batalha
Não é só no campo de batalha: o avanço da tecnologia também chamou a atenção de organizações criminosas.
Tristão explicou que, se antes o monitoramento de operações policiais dependia dos chamados “fogueteiros” (uma espécie de vigia que usa fogos de artifício para alertar comparsas sobre a movimentação da polícia), hoje os drones assumem esse papel. Isso também vale para conflitos entre facções rivais.
Granemann deu um exemplo da tecnologia na prática:
Vamos imaginar uma comunidade onde o crime domina. Quando o policiamento resolver intervir nessa situação, como planejar uma busca por pessoas suspeitas, ele poderá utilizar um drone para fazer o mapeamento rápido da situação. Como resposta, o crime organizado poderá acionar um antidrone.
Emerson Zanon Granemann, fundador e CEO da MundoGEO
Nesse contexto, sistemas antidrone passaram a ser vistos não só como ferramentas de proteção, mas também como instrumentos de inteligência. Segundo o executivo da Geocontrol, os equipamentos conseguem identificar não apenas a localização do drone, mas também do operador – o que ajuda a identificar os responsáveis pela ação.
O mesmo conceito pode ser aplicado em presídios. “O policial que fica na torre vai saber de onde está chegando o drone. E a inteligência do presídio vai poder saber onde está o piloto”, afirmou.
A preocupação não é apenas no papel:
Em julho do ano passado, policiais militares do Rio de Janeiro apreenderam um interceptador de drones importado durante uma operação na comunidade de Acari;
Segundo as autoridades, o equipamento era capaz de interferir na navegação de drones em um raio de aproximadamente sete quilômetros.
Foi a primeira vez que um dispositivo desse tipo foi apreendido no estado.
O executivo defende que não se trata apenas de um trabalho combativo, mas também de inteligência por parte das autoridades de segurança pública:
O detector não pode ser pensado como uma ferramenta que vai detectar um drone e vai ter uma ação imediata de anular aquele drone. Algumas vezes, pode acontecer. Mas a maioria das vezes trata-se de um trabalho de inteligência.
Rogério Tristão, diretor comercial da Geocontrol
Às vésperas da COP 30, em 2025, agentes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República apresentaram o DroneGun Tatical, que tem a capacidade de interferir no canal de controle de drones com a emissão de sinais de alta potência – Imagem: Gabinete de Segurança Institucional
O desafio da regulamentação
Apesar do crescimento do setor, especialistas apontam que a legislação ainda não acompanhou totalmente a evolução dessas tecnologias.
No Brasil, a operação de drones é regulamentada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Entretanto, não existe atualmente uma regulamentação específica para a comercialização e utilização de tecnologias antidrone.
A preocupação envolve principalmente o risco desses sistemas caírem nas mãos de organizações criminosas. “Essa tecnologia pode ser usada pela administração dos aeroportos, das penitenciárias e de áreas críticas. Mas ela pode ser comprada pelo crime organizado. E aí o caminho é inverso”, alertou o fundador do MundoGEO.
Tristão compartilha da mesma avaliação. Segundo ele, a ausência de regras específicas facilita o acesso de criminosos a equipamentos capazes de monitorar ou neutralizar drones utilizados pelas forças de segurança pública.
O problema no Brasil é que o estado tem um trabalho burocrático. Tem licitação, edital… é uma compra complicada. Enquanto isso o crime organizado compra um detector de drone pela Shopee, pelo AliExpress. (…) A tecnologia avançou, mas existe uma corrida – e os estados estão começando a fazer esse investimento agora.
Rogério Tristão, diretor comercial da Geocontrol
Henrique Cordeiro Florido traz uma perspectiva diferente: por se tratar de um país de proporções continentais, a falta de orientação a nível estrutural pode fazer com que cada órgão compre um sistema antidrone diferente. O resultado é a fragmentação de tecnologias, que ficam isoladas umas das outras.
Interface de localização de drones da Geocontrol – Imagem: Geocontrol
Inteligência artificial e o futuro da proteção aérea
A inteligência artificial também começa a aparecer nesse mercado, embora especialistas avaliem que seu impacto imediato esteja mais relacionado à automação e velocidade de resposta do que à criação de novas capacidades.
“A inteligência artificial está presente em tudo. Com certeza, a identificação e os meios para tirar um drone de operação vão se tornar mais rápidos”, afirma Granemann.
O potencial maior pode surgir em cenários envolvendo enxames de drones, uma das tendências observadas em conflitos militares recentes:
Em vez de lidar com uma única aeronave, os sistemas passam a enfrentar dezenas ou até centenas de drones operando simultaneamente;
Nesses casos, a IA pode ser decisiva para identificar padrões, priorizar ameaças e coordenar respostas em tempo real;
Enquanto isso, a disputa entre drones e antidrones segue em constante evolução. À medida que as aeronaves ganham autonomia, alcance e novas formas de comunicação, os sistemas de defesa precisam acompanhar esse ritmo.
Como resumiu Tristão, a corrida tecnológica já começou – e não dá sinais de desaceleração.
O que explica esse crescimento [do mercado de tecnologias antidrone] é a necessidade das forças de segurança evoluírem. Mas falta trabalhar a regulamentação dos equipamentos, porque hoje, no Brasil, isso está sem controle.
Rogério Tristão, diretor comercial da Geocontrol
O post Quando o drone vira ameaça: o que são e como funcionam os antidrones apareceu primeiro em Olhar Digital.
Artigo originalmente publicado em
olhardigital.com.br