🌊 Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bônus

Quando os terapeutas viram o centro do terror no cinema

Quando os terapeutas viram o centro do terror no cinema

Se por muito tempo o cinema tratou terapeutas como figuras calmas, analíticas e quase invulneráveis, uma nova leva de filmes resolveu quebrar essa imagem. Em produções recentes, psicanalistas, conselheiros e profissionais da saúde mental aparecem abalados, sobrecarregados e emocionalmente em frangalhos, como se o consultório já não fosse um porto seguro, mas um lugar de fissuras.

Essa mudança conversa diretamente com uma ansiedade muito contemporânea: a sensação de que ninguém está realmente protegido do próprio desgaste emocional. Quando a narrativa coloca quem escuta os traumas alheios no centro do caos, o efeito é forte porque desmonta uma fantasia antiga do público. O terapeuta deixa de ser apenas o observador da crise e passa a ser também vítima dela.

Filmes como If I Had Legs I’d Kick You e A Private Life exploram justamente essa inversão, usando o colapso desses personagens para ampliar a tensão dramática e, em alguns casos, flertar com o horror psicológico. A ideia de que até mesmo o profissional mais treinado pode ruir cria uma atmosfera desconfortável, porque sugere que a estabilidade é mais frágil do que parece.

No fundo, essa tendência revela algo maior sobre o momento atual do cinema: há um interesse crescente em personagens emocionalmente esgotados, em especial aqueles que foram historicamente vistos como contidos e racionais. Ao levar terapeutas para o limite, esses filmes não falam apenas de saúde mental, mas também da dificuldade coletiva de sustentar equilíbrio em meio ao excesso de pressão, medo e introspecção.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
Compartilhar: