Para muita gente, sonhar acordado é só um momento de distração. Mas há casos em que a mente cria cenas tão intensas e envolventes que a pessoa se desconecta do ambiente ao redor por longos períodos. Esse fenômeno, chamado por especialistas de devaneio excessivo, pode parecer inofensivo no início, mas merece atenção quando começa a tomar espaço demais na vida real.
Quem vive essa experiência costuma relatar histórias internas muito detalhadas, com enredos, personagens e emoções fortes. Algumas pessoas riem, choram ou gesticulam enquanto estão imersas nesses pensamentos, e conseguem entrar e sair desse estado com facilidade. Para elas, não se trata apenas de distração: é quase como habitar um mundo paralelo criado pela própria mente.
O psiquiatra e pesquisador Colin Ross, que estuda o tema, chama atenção para o impacto que esse padrão pode ter no cotidiano. Em certos casos, a pessoa passa a preferir o universo imaginário ao presente, o que pode afetar foco, produtividade, relações e até o sono. O problema não está em imaginar, mas em quando a fantasia começa a competir com a realidade de forma constante.
Especialistas lembram que nem todo devaneio intenso é sinal de doença, mas vale observar os sinais de alerta: dificuldade para cumprir tarefas, isolamento, sensação de perda de controle e sofrimento emocional. Se isso acontece com frequência, buscar avaliação profissional pode ajudar a entender o que está por trás do comportamento e a encontrar formas mais saudáveis de lidar com a mente acelerada.