A Natura (NATU3) quer continuar comprando as próprias ações. Depois de concluir um programa de recompra iniciado em julho de 2025, a companhia aprovou um novo plano que permite adquirir até 28,6 milhões de papéis ao longo dos próximos 12 meses — o equivalente a 2,1% do capital social da empresa e a 3,4% das ações em circulação (free float).
A decisão foi anunciada na noite de quinta-feira (2), poucas horas depois de a empresa informar ao mercado a entrada da gestora Advent International como uma das maiores acionistas da companhia.
Programas de recompra costumam ser interpretados pelo mercado como um sinal de que a administração considera as ações negociadas abaixo de seu valor justo.
Além disso, a estratégia também pode ser usada para otimizar a estrutura de capital, abastecer planos de remuneração de executivos sem emitir novos papéis e aumentar o retorno aos acionistas.
Segundo a Natura, o objetivo do novo programa é justamente otimizar sua estrutura de capital e gerar valor aos investidores. As ações recompradas poderão permanecer em tesouraria, ser canceladas, vendidas futuramente ou destinadas a programas de incentivo de longo prazo.
Ao reduzir o número de papéis em circulação, a recompra aumenta a participação relativa dos acionistas que permanecem na companhia e pode elevar indicadores como o lucro por ação (LPA), o que tende a beneficiar o investidor no longo prazo.
As aquisições serão realizadas na B3 a preços de mercado, com intermediação de instituições financeiras como Itaú, Morgan Stanley, Citi e Santander. A Natura afirma que possui reservas suficientes para executar o programa sem comprometer suas obrigações financeiras nem a distribuição de dividendos.
O plano entra em vigor nesta sexta-feira (3) e poderá ser executado até 2 de julho de 2027.
Advent amplia aposta na Natura
A recompra de ações acontece em meio a uma mudança importante na base acionária da empresa.
Também na quinta-feira (2), a Natura informou que o Lotus Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, gerido pela Advent International, comprou 90,6 milhões de ações da companhia, o equivalente a 6,6% do capital social.
Além dessa participação direta, a gestora mantém exposição econômica correspondente a outros 1,4% do capital por meio de operações de Total Return Swap (TRS), elevando sua participação potencial para aproximadamente 8%.
A operação faz parte do acordo fechado entre a Advent e os principais acionistas da Natura em março deste ano. Pelo compromisso, a gestora poderá comprar entre 8% e 10% da companhia no mercado secundário, ao preço médio de R$ 9,75 por ação, em um prazo de até seis meses.
Como contrapartida, a Advent terá direito a indicar dois integrantes para o Conselho de Administração da Natura, ampliando sua influência na estratégia da companhia, embora o controle permaneça com os atuais acionistas.
A movimentação ocorre poucos meses depois de a Natura promover uma reestruturação em sua governança, em um momento em que busca acelerar sua estratégia de crescimento na América Latina. The post Querendo agradar? Natura (NATU3) saca uma das armas favoritas do mercado — de novo appeared first on Seu Dinheiro.