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Remédio para diabetes pode ser aliado no combate ao alcoolismo, diz estudo

Redação Recifes
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Remédio para diabetes pode ser aliado no combate ao alcoolismo, diz estudo
Foto: Nataliya Vaitkevich / Pexels

Uma das substâncias mais comentadas da medicina nos últimos anos, a semaglutida — popularizada pelo tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 — pode ganhar mais um campo de atuação: o tratamento do transtorno por uso de álcool. Um estudo clínico recente indicou que a versão oral do medicamento foi capaz de reduzir os episódios de consumo excessivo de bebida alcoólica em participantes diagnosticados com essa condição.

Os pesquisadores observaram que pacientes que fizeram uso da semaglutida oral apresentaram menor frequência e intensidade dos chamados "binge drinking" — os episódios de ingestão compulsiva de álcool em curto período de tempo. O mecanismo por trás desse efeito está relacionado à forma como a substância age no sistema de recompensa do cérebro, modulando a liberação de dopamina e, consequentemente, reduzindo o prazer associado ao consumo da bebida.

Esse achado é relevante porque o transtorno por uso de álcool é uma condição complexa, com poucos medicamentos aprovados e alta taxa de recaída. Ter um fármaco já amplamente estudado e disponível no mercado com potencial terapêutico para esse público representa um avanço considerável, tanto do ponto de vista clínico quanto logístico, já que a semaglutida oral dispensa o uso de injeções.

Vale destacar que o estudo ainda é preliminar e que novos ensaios clínicos de maior escala serão necessários antes que qualquer indicação oficial possa ser feita para esse fim específico. Até lá, médicos e pacientes devem aguardar as análises dos órgãos regulatórios, como a Anvisa no Brasil e o FDA nos Estados Unidos, para que o uso seja respaldado por evidências robustas.

De qualquer forma, a descoberta reforça o interesse científico crescente nos agonistas do receptor GLP-1 — classe à qual pertence a semaglutida — como possíveis ferramentas no tratamento de comportamentos compulsivos. Estudos anteriores já haviam sugerido efeitos semelhantes no controle do tabagismo e do consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, o que sugere que o potencial dessa classe de medicamentos vai muito além do controle glicêmico e da perda de peso.

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