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RJ é destino de 90% das armas interceptadas na fronteira do MS, aponta PRF

RJ é destino de 90% das armas interceptadas na fronteira do MS, aponta PRF
<p>O Rio de Janeiro segue sendo o principal alvo do tráfico de armas que atravessa o território brasileiro vindo da região de fronteira. Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Mato Grosso do Sul indicam que cerca de 90% de todo o armamento interceptado nas rodovias daquele estado tinha como destino final a cidade ou o estado do Rio — um número que acende o alerta para a dimensão das rotas de abastecimento das facções criminosas cariocas.</p><p>A revelação partiu do inspetor Waldir Brasil, da PRF sul-mato-grossense, que explicou que as apreensões realizadas nas estradas da região — zona limítrofe com o Paraguai e a Bolívia, conhecida pela porosidade das fronteiras — apontam sistematicamente para o Sudeste como destino. Embora São Paulo e Minas Gerais também figurem no mapa do tráfico de armas, é o Rio quem absorve a esmagadora maioria do material bélico contrabandeado.</p><p>A rota é conhecida pelos especialistas em segurança pública: armas e munições entram no país pela fronteira porosa do Centro-Oeste, são transportadas por mulas ou motoristas profissionais ao longo das rodovias federais e chegam ao Rio de Janeiro para abastecer o comércio ilegal de armamentos nas comunidades dominadas por milícias e tráfico. O aumento nas apreensões em MS nos últimos meses sugere tanto uma intensificação das operações da PRF quanto um possível crescimento no volume de material sendo deslocado.</p><p>Para o Rio, o dado é preocupante por razões que vão além do número de armas apreendidas. Cada lote interceptado representa apenas uma fração do que efetivamente chega às mãos de grupos armados na cidade. Especialistas em segurança pública alertam que a eficácia do combate ao armamento ilegal depende de uma cooperação integrada entre as polícias estaduais, a PRF e a Polícia Federal, algo que ainda encontra gargalos operacionais e burocráticos no dia a dia.</p><p>O cenário reforça a necessidade de políticas federais que tratam o problema na origem — ou seja, no controle das fronteiras e nas rotas internas de escoamento — e não apenas nos territórios de chegada. Enquanto o Rio convive com os efeitos da violência armada, parte da solução está sendo disputada a mais de mil quilômetros de distância, nas estradas do Mato Grosso do Sul.</p>
Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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